Aprenda a priorizar os gastos

Todos com a tarefa de casa feita, certo? Imagino que aqueles que fizeram seu orçamento mensal tenham se impressionado com a quantidade de contas que são pagas todos os meses. Apenas quando paramos para listá-las é que nos damos conta da magnitude de nossas obrigações financeiras.

O mapeamento feito na lição anterior através da elaboração do orçamento não é suficiente para controlar os gastos. Mesmo com tudo listado, pode acontecer de faltar dinheiro para pagar uma conta ou outra. Isso pode ocorrer em função de despesas superiores às receitas ou mesmo devido a um descasamento de prazos de recebimento e pagamento.

Portanto, essa lição, “Aprenda a priorizar os gastos“, tem o intuito de ajudá-lo a contornar esses problemas, de forma que se estabeleça uma sustentabilidade financeira na qual prazos e valores venham a convergir.

Compare valores

Antes de qualquer coisa, some os valores de todos os compromissos financeiros – aqueles que você estipulou no exercício anterior. Guarde a informação. Agora, some os valores de todas as suas fontes de rendimento. Compare os resultados.

Sua renda tem sido suficiente para suprir seus gastos? Caso a resposta seja sim, ótimo, temos um problema a menos para resolver. Se a resposta for não, não se preocupe. Será necessário um esforço maior para solucionar a situação, mas os resultados principais tendem a ser semelhantemente benéficos.

O próximo passo é organizar a planilha elaborada anteriormente conforme os prazos, de forma que as contas ou recebimentos com vencimentos em um mesmo dia do mês fiquem agrupadas. Faça a mesma comparação feita anteriormente – soma dos rendimentos x soma dos gastos. Aqui, no entanto, há uma peculiaridade. As comparações deverão ser efetuadas por períodos de tempo, não diariamente. Assim, suponhamos que o pagamento de suas receitas seja parcelado em duas vezes, de forma que você receba parte no dia 15 do mês e o restante no dia 30. Então, o valor recebido, por exemplo, no dia 30, deverá ser equiparado ao somatório de todas as contas a pagar a partir desse dia, incluindo-o, até o dia anterior ao próximo pagamento, ou seja, dia 14.

Percebeu que tem mais valores a pagar que a receber num período e, no outro, há uma folga de caixa? Temos aqui um problema de prazo. Nada que um bom planejamento e uma reformulação dos gastos não sejam capazes de resolver.

Planejamento

Passemos, então, ao planejamento. Se você identificou o primeiro problema – aquele em que o dinheiro, independente do prazo, não é suficiente, teremos que trabalhar para a redução de gastos. Se você identificou o segundo, trabalharemos para a realocação de prazos.

Comecemos, então, pelo primeiro caso. Classifique os gastos conforme sua prioridade. A conta de luz, por exemplo, é indispensável que seja paga. Por outro lado, pode haver gastos supérfluos – e aqui cabe o julgamento individual – que devem ser cortados ou reduzidos. Mesmo os gastos considerados indispensáveis podem sofrer redução afim de atingir a sustentabilidade financeira. No caso, podemos nos esforçar para reduzir o consumo de energia e, como resultado, receber um valor menor a pagar nas contas mensais.

Reavalie cada uma das metas que você havia estabelecido e, numa coluna ao lado, estabeleça novos valores, buscando reduzir tantos os gastos essenciais como o superficiais, de forma que sua renda seja capaz de superar o valor das obrigações. Obviamente, apenas estabelecer valores não resolverá o problema. Você deverá se esforçar para cumprir as metas.

Entremos no segundo caso. Ainda que os problemas sejam apenas com o descasamento de prazos, é importante que aqui também seja realizada uma reavaliação de metas com o intuito de reduzir os gastos. Feito isso, classifique as contas conforme a facilidade de alteração de datas de vencimento. As contas que você sabe que podem ter suas datas de vencimentos transferidas, devem ser retiradas do período de pagamento no qual as despesas superam a renda e transportadas para o outro. Assim, você deverá organizar suas contas, conforme prazos e valores, de forma que, durante todo o período mensal, você consiga pagar sua obrigações sem que falte dinheiro.

Classificar as contas conforme os critérios de prioridade e estabelecer metas de redução de gastos é algo muito pessoal. Sugiro que, nesse processo, sejam envolvidos familiares e pessoas que estão envolvidas com esses gastos. Isso pode trazer opiniões diversas das suas, chamando a atenção para algo que havia deixado passar ou que possam vir a balancear alguma preferência sua que estivesse prejudicando o planejamento. Dessa forma, é mais provável que se cheguem a resultados menos parciais, que agradem a todos e que efetivamente venham a melhorar suas finanças pessoais.

Exercício

Seguir as orientações é fácil. O difícil é criar autodisciplina para controlar os gastos e cumprir as metas à risca. E é esse o desafio que deixo a vocês. Desde já procurem controlar suas finanças, mesmo antes de finalizar o curso. Assim, até lá vocês já estarão mais acostumados a esse controle, que se tornará rotineiro.

Na próxima lição trataremos de como organizar as contas e facilitar todo esse processo.

Por Thais Oliveira

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Finanças Pessoais]

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