Como fazer um país inteiro sair do vermelho?

Já falamos várias vezes aqui sobre como sair do vermelho, mas desta vez o artigo muda um pouquinho de figura, uma vez que deixamos a individualidade e partimos para a coletividade, isto é, como fazer um país inteiro sair do vermelho e prosperar.

A ideia de tal artigo não partiu de mim, mas sim da dúvida da leitra Raissa, que no artigo Como sair do vermelho? Dúvidas e respostas – parte 3 escreve o seguinte:

Eu queria ajuda para um trabalho pois queria saber: o que é preciso para um país sair do vermelho?

UPDATE: Este artigo foi publicado originalmente em 21 de março de 2011, mas estamos atualizando gradualmente nossos artigos, assim sendo o mesmo foi acrescido de novas informações e também correções.

Bem, Raissa, antes de mais nada, prazer em conhecê-la!

A sua dúvida é bastante pertinente: preocupamo-nos por diversas vezes sobre como prosperarmos individualmente, mas e quando falamos de uma nação inteira? Será que vale a regra “é só cada um fazer a sua parte” e pronto?

A minha experiência diz-me que não, não adianta a gente esperar que cada qual, individualmente, siga essa regra e pensar que no fim das contas somando todos os esforços teremos um país saindo do vermelho. Em minha opinião, trata-se de um esforço conjunto do governo, sistemas de educação e população.

Vamos falar então um pouco sobre o papel de cada um?

Governo

Comecemos então falando daquele que, infelizmente, parece ser o último onde conseguiremos mudanças realmente significativas. 🙁

Há muitos problemas na estrutura governamental do Brasil, por exemplo, que enquanto não forem solucionados não levarão a uma maior prosperidade do país. Bem, vejamos algumas coisas que contribuem negativamente para isso:

  • Governantes aumentando estupidamente seus próprios salários, causando grandes gastos públicos que poderiam ser empregados na construção de escolas e hospitais, contratação de professores, subsídios a novas empresas (que gerariam mais empregos) etc.
  • Desvios de verba de valores astronômicos. Dinheiro que deveria ser utilizado para gerar uma melhor qualidade de vida e desenvolver novas oportunidades à população sendo furtado por quem deveria administrá-lo!
  • Mau emprego do dinheiro público: enquanto algumas pessoas buscam empréstimos em bancos a juros altos por não conseguirem investimentos públicos facilmente para seu empreendimento, outras (por motivos alheios à nossa compreensão) alcançam financiamentos de valores bem altos!
  • Falta uma postura melhor de nossos governantes para incentivarem o desenvolvimento do conhecimento financeiro e espírito empreendedor da população. Sem tal educação, o Brasil continuará na mesma situação por um bom tempo!

UPDATE: É engraçado perceber que, sete anos após a publicação original deste artigo, continuamos enfrentando os mesmo problemas quanto aos nossos políticos, pois veja só o que temos visto em nossas TVs e jornais ultimamente: descoberta de grandes esquemas sistêmicos de corrupção envolvendo muitos dos grandes nomes de vários partidos políticos; impeachment da presidente Dilma Rousseff, com a ascensão de Michel Temer ao poder que, do ponto de vista do reajuste fiscal necessário, pouco fez; novas mudanças nas regras da previdência social, forçando a população brasileira a praticamente trabalhar por 50 anos para usufruir de no máximo 10 anos de aposentadoria; caos em várias cidades brasileiras que estão atrasando ou até mesmo parcelando o pagamento de seus servidores públicos, levando até mesmo a policiais militares a promoverem uma “paralisação sem greve”. E isso é só para citar algumas coisas!

Então você me pergunta, Raissa, o que é preciso para fazer um país inteiro sair do vermelho, não é? Bem, em primeiro lugar um corte salarial em alguns desses salários que já estão bastante inchados, bem como um corte do número de servidores públicos – há gente demais contratada e pouca gente trabalhando, isso é fato, todos nós sabemos mas sempre fica do mesmo jeito! UPDATE: O então presidente Michel Temer prometeu uma redução de 4 mil cargos comissionados, entretanto há mais de 30 mil em todo o país! Há um espaço muito maior para corte de cargos comissionados, redução e maior fiscalização de certos benefícios oferecidos a políticos e certos cargos públicos etc.

É necessário também o combate ao mau uso da verba pública. Neste ponto, acredito que devemos parabenizar a Polícia Federal que, nos últimos anos, trabalhou eficientemente e desmascarou muitas coisas erradas (governo Lula que o diga, nunca houve um governo no Brasil com tantas CPIs!), mas agora precisamos lutar para que os responsáveis sejam realmente punidos e não somente afastados para, na próxima eleição, voltarem a se candidatar! Quem rouba um comerciante é preso e por que quem rouba uma nação não o é? UPDATE: Parece uma grande ironia do destino estar atualizando este artigo logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o indiciamento do ex-presidente Lula em vários processos criminais e, por fim, o Partido dos Trabalhadores (PT) tendo a cara de pau de indicá-lo como candidato a uma possível reeleição, visando esconder a sujeirada e ainda conseguir foro privilegiado ao ex-presidente. A Polícia Federal está de parabéns, mas agora está na hora do Judiciário começar a trabalhar e mostrar que eles também querem um país diferente!

E por fim, após enxugar os salários e quadro de servidores e combater os desvios de verba, está na hora de um novo planejamento, não um planejamento para um ou dois anos, mas um planejamento que deveria ser executado por cinco, dez anos ou mais! Estamos falando se mudar completamente o Brasil, de trazer condições iguais a todas as pessoas, isso não pode ser conseguido da noite para o dia! E é aqui onde começamos a falar sobre educação…

O atual sistema educacional

Li outro dia que a partir de 2012 haverá educação financeira nas escolas públicas. Fiquei super feliz! Mas logo depois pensei: e quem é que vai ministrar essas aulas? Será que temos professores realmente habilitados para tal tarefa? Alguém vai me lembrar de que há cursos de Economia em todo o país, mas não estou falando somente em graduação, estou falando sobre experiência de vida também! UPDATE: Já se passaram vários anos e essa proposta nunca saiu do papel. Algumas escolas particulares até promovem seminários isolados sobre o tema como forma de orientar alunos do fundamental maior e do ensino médio, mas tal ação ainda não acontece de forma sistematizada nas escolas públicas – uma grande lástima…

Não me levem a mal, acredito que temos economistas muito bem formados no Brasil, mas o que nossas crianças precisam não é somente de um economista falando para elas, elas precisam acreditar no que estão ouvindo, elas precisam “ver o exemplo”, o professor precisa realmente ser o exemplo delas! Por que quando Pat Flynn, Darren Rowse, Custódio Fernandes e Paulo Faustino escrevem um artigo eu paro tudo e leio prestando bastante atenção? Porque eles são grandes exemplos para mim, eles fazem aquilo que dizem e fazem isso dar certo, como eu não deveria prestar atenção??? UPDATE: Risquei de minha lista o nome de dois colegas blogueiros em língua portuguesa porque seus antigos blogs que eu seguia foram desativados e hoje percebo muito “mistério e confusão” sobre como é a sua atuação hoje quando o assunto é “ganhar dinheiro na web”.

Agora, peguemos um outro exemplo: toda hora vejo nascer um “super blog” onde o autor diz saber tudo sobre ganhar dinheiro na Internet, mas não precisa mais do que dois minutos para perceber que é mais um desesperado, repetindo o que muitos outros falam em vários outros lugares da Internet. Sinceramente? Não me motivo nem um pouco a lê-los – na verdade, geralmente memorizo o endereço dos blogs deles a fim de evitar passar outra vez por lá!

Obviamente, com escolas públicas adotando educação financeira como parte de sua grade disciplinar, é esperado que as escolas privadas façam o mesmo em seguida. E aí nasce um novo temor: se o conteúdo a ser ministrado em escolas públicas não tiver a mesma qualidade daquele ensinado em escolas privadas, estaremos aumentando ainda mais a distância entre o “pobre” e o “rico”, isto é, o ensino privado oferecendo educação de grande qualidade, enquanto que o ensino público não estaria acompanhando.

Bem, o “segredo” para resolver isso pode estar numa completa repaginação dos sistemas de ensino público, pois não adianta oferecer educação financeira se as demais disciplinas também não são bem ensinadas.

Então, Raissa, do ponto de vista educacional, é necessária uma completa reforma do ensino público hoje a fim de oferecer educação de qualidade e aí sim, dentro deste novo contexto, inserir educação financeira e empreendedorismo como conteúdos essenciais nas escolas públicas e privadas!

Além disso, é necessário garantir que os profissionais que estarão à frente nesse processo educacional são realmente competentes e adotar um novo método de avaliação, ao menos para a(s) disciplina(s) de educação financeira e empreendedorismo. Talvez cada aluno devesse apresentar um projeto para um empreendimento ou planejamento para investimentos ao final do ensino fundamental e apresentar o mesmo implementado, em funcionamento e lucrando com o mesmo ao final do ensino médio? Achou isso um absurdo? Pense mais um pouco, leia Pai Rico Pai Pobre e Os Segredos da Mente Milionária e volte aqui para me dizer o que acha então, ok? 😉

UPDATE: Apontando mais uma vez alguma das mudanças propostas pelo atual governo, foi aprovada uma PEC que altera o ensino médio, aumentando consideravelmente sua carga horária, porém fazendo com que somente 60% das disciplinas sejam obrigatórias, dando liberdade aos alunos para escolherem os outros 40%, num sistema mais parecido com o presente nas escolas estadunidenses. Se veremos educação financeira e empreendedorismo nessa nova proposta e realmente em ação, ou se será somente mais um “tiro no pé”, teremos que aguardar até 2020, quando as primeiras turmas do ensino médio deverão seguir 100% dessa nova proposta.

Entretanto, obviamente, não adianta mudar o governo e as escolas e não mudar o maior elemento de todos: a cultura que a nossa população possui.

Nossa cultura

Pare para pensar: de que adianta o seu filho ir até a escola, aprender mil coisas sobre finanças, investimentos, marketing e empreendedorismo e, ao chegar em casa, perceber que sua família ignora tudo isso? Pior, ouvirem os pais desdenharem em sua frente de tudo aquilo que ele está aprendendo (sim, já ouvi sobre casos desse tipo acontecendo)? Você acha que seu filho se sentirá realmente motivado a aprender?

O Brasil precisa de uma cultura menos operária e muito mais empreendedora! Até a nossa televisão reflete isso: nos canais abertos, para cada uma hora de conteúdo focado em finanças, investimentos ou empreendimentos, temos 50 horas ou mais de programação do tipo: novela, reality shows, programas de palco que falam sobre a própria programação da TV etc. É com essa cultura que vamos crescer e prosperar?

Certo, você ainda não está convicto do que estou falando, não é? Vou dar mais um exemplo: conheço pessoas (não é, meus tios?) que gastam muito dinheiro com bebidas e outras coisas, mas que não lembram quando foi a última vez que compraram um livro para elas próprias lerem e aprenderem. Gastam com bebidas, baladas, boates, bares, restaurantes, praias, clubes, mas não gastam de forma equivalente com a sua própria educação.

Essas pessoas estão errando duas vezes! Primeiro porque estão abandonando a oportunidade de crescerem ainda mais, e não falo somente em termos profissionais, falo também sobre crescimento pessoal mesmo. E em segundo lugar, erram porque, agindo dessa forma, estão dando péssimos exemplos a seus filhos: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” é em minha opinião a forma de agir mais ridícula, se você quer que seu filho estude e se esforce para conquistar posições melhores você próprio deve ser o exemplo dele.

Meu filho tem dois anos e meio de idade. Sempre que ele encontra uma moeda pela casa, ele já chama a mim ou à mãe dele para que lhe demos o dinheiro e, então, ele possa guardar em sua vaquinha (o cofre dele não é um porco não, é uma vaca mesmo! 🙂 ). Ele faz isso pois desde pequeno ensinamos a ele que aquele era o lugar certo para guardar o dinheiro dele. A partir dos três anos e meio, espero começar a mostrar a ele que esse mesmo dinheiro é que ele usará para comprar coisas de seu interesse, como doces e outras coisas. Em outras palavras, busco acompanhar a educação financeira de meu filho desde já, e olha que ele só tem dois anos e meio! UPDATE: Meu filho agora já tem oito anos completos, ganha uma mesada de R$ 25,00 e geralmente guarda seu dinheiro por um bom tempo para adquirir coleções de bonecos pequenos (ele é apaixonado por coleções de bonecos, principalmente de Dragon Ball!). Além disso, comecei a falar mais sobre conceitos de economia e por que economizar e investir pensando no futuro.

Enfim, Raissa, para resolvermos nosso problema cultural é necessário que a mudança comece em casa, nos nossos lares, expanda-se para os ambientes de trabalho, onde as empresas devem buscar formas de incentivar tais atitudes por parte de seus funcionários, para então chegar a outros círculos sociais.

Em outras palavras, só pedir para cada um fazer aquilo que descrevo em Quero sair das dívidas! – O guia não é suficiente, quando falamos de uma nação inteira, precisamos de algo bem mais organizado e que proporcione mudanças duradouras na cultura brasileira.

E então, Raissa, vamos ajudar a fazer nosso país inteiro sair do vermelho? 😉

UPDATE: Atualizar esse artigo foi um exercício incrível de comparar não somente a situação do país como a minha e de minha família há sete anos atrás e agora. E para você, do que mais gostou?

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