Conhecendo o seu perfil de investidor

Esta é finalmente a terceira parte de nosso minicurso Manual do Investidor, um minicurso focado em conduzi-lo em seus primeiros passos para aprender sobre investimentos, bem como ajudá-lo em suas primeirias iniciativas. Neste terceiro passo, vamos estudar os principais perfis de investidores a fim de saber qual aquele que melhor se adequa às nossas expectativas.

Se você levar em consideração o que temos comentado até agora, já deve ter percebido que há diversos tipos de ativos em que podemos investir nosso dinheiro e que o grau de rentabilidade, bem como o risco, pode variar muito de um para outro.

A fim de facilitar compreender e escolher os tipos de investimentos certos para as necessidades de cada pessoa, convencionou-se a definição de “tipos” de investidor, ou perfis de investidor, como normalmente conhecemos.

Mas… O que é afinal o perfil de um investidor?

O perfil de um investidor designa quais as melhores opções de mercado que aquele investidor pode utilizar-se a fim de melhor balancear probabilidade de rentabilidade e probabilidade de risco. Desta forma, o perfil de um investidor determina quais os riscos (e consequentemente, quais os tipos de investimentos) que eles estará disposto a assumir a fim de conseguir aumentar o seu potencial de ganhar (ou perder) em suas operações.

Alguém poderia perguntar: eu posso ser um bom investidor mesmo sem conhecer o meu perfil? Bem, inicialmente você até pode começar desta forma, “atirando no escuro”, uma vez que você não sabe quais riscos são toleráveis para você ou não.  Entretanto, assim que os prejuízos financeiros começarem a aparecer, é possível que você tenha assumido um risco muito mais alto do que deveria e, desta forma, poderá estar arriscando uma importância muito maior do que suas necessidades permitem.

Da mesma forma, se você investir em papéis muito mais conservadores do que aqueles adequados para o seu perfil, você terá aquela sensação de que “poderia estar ganhando mais”.

De qualquer forma, em ambos os casos, após algumas tentativas, erros e acertos, o investidor irá naturalmente adequando-se ao perfil que melhor lhe convém.

Bem, você estaria disposto em investir o seu dinheiro em algo que pode não lhe ser tão rentável quanto esperava ou, pior, em algo que poderá devorar todo o seu investimento, fazendo-lhe perder o seu dinheiro?

Para determinar o seu perfil, é necessário sabermos qual a sua tolerância a riscos. Mas, afinal de contas…

O que é tolerância a risco?

Tolerância a risco é o nível de probabilidade de perdas de capital que o investidor está disposto a enfrentar a fim de alcançar a melhor rentabilidade possível sem prejudicar seu campo financeiro.

A tolerância a risco trata-se, então, de quanto capital um investidor (ou empreendedor, pois esse termo também existe na área de empreendedorismo, mas isso estudaremos em outro momento) está disposto a arriscar em um novo negócio ou tipo de investimento comparado ao montante máximo que ele assume poder tomar como prejuízo em tal empreendimento sem que isso o afete.

Quando o risco é maior que a tolerância do investidor, ele pode sentir-se instigado a “fugir” daquele investimento, mudando de empreendimento ou mesmo liquidando o que ainda possui e saindo do mercado (o que acontece com muita gente que entra mercado de investimentos desprevenido).

Vamos tornar isso ainda mais claro. Se eu lhe perguntar o quanto você é capaz de investir, provavelmente eu terei como resposta “todas as minhas economias”, pois você sabe que se o investimento tiver uma alta lucratividade você terá conseguido um bom negócio e lucrará com isso de acordo com o quanto você investiu, nesse caso, mais é melhor.

Mas… se eu lhe perguntar o quanto você é capaz de assumir como prejuízo sem abalar-se ou desistir da área de investimentos, é bem capaz que você não diga “todas as minhas economias”, pois isso significa um risco muito alto (cerca de 100%), muito acima da tolerância, isto é, da capacidade de assumir riscos que muitas pessoas possuem.

Desta forma, quanto maior for a tolerância a riscos, maiores serão os riscos, tanto para conseguir um alto rendimento, quanto para ter um alto prejuízo, o que pode levar pessoas a ficarem ricas muito rapidamente se tudo correr bem. Ou o contrário, se tudo sair errado!

Em contrapartida, quanto menor é a sua tolerância a riscos, mais seguro será o seu investimento, isto é, menores serão os riscos envolvidos no mesmo. Entretanto, riscos menores significam também potencial de rendimento menor. Àqueles que querem conquistar altos prêmios rapidamente: sem risco, sem prêmio.

Obviamente, podemos classificar os tipos de investidor não somente a partir de sua tolerância a risco, mas esta é geralmente a forma mais adotada, pois ela define muito bem o quanto você PODE ganhar x o quanto você ADMITE perder.

Os três principais tipos de investidor

  • Conservador – Um investidor conservador possui, por alguma razão, uma grande aversão a riscos, assumindo assim os menores riscos possíveis. Um investidor conservador quer ganhar dinheiro, mas o seu foco na verdade é não perder dinheiro. Obviamente, um investidor conservador possui seus motivos para não querer arriscar o seu capital – pode ser um pai (ou mãe) da família e não quer arriscar as suas reservas financeiras. Pode ser um estudante que está tentando ganhar algum dinheiro mais, não possui muito tempo ou experiência e não quer arriscar muito seu suado dinheiro. Pode ser uma pessoa que está interessada em investir seu capital de forma segura e pretende adquirir algum bem ou serviço ou investi-lo em outro empreendimento em um prazo muito curto, o que pode inibir a possibilidade de querer arriscá-lo. Enfim, você quer ganhar dinheiro, mas sem correr riscos (ou melhor dizendo, com uma tolerância a riscos a menor possível). Lembre-se que se você não assume riscos, não pode conseguir grandes prêmios, mas obviamente você é quem melhor pode dizer se pode ou não suportar tais riscos, já que o dinheiro é seu e você sabe o que quer fazer com ele. 😉 Geralmente, o investidor conservador prefere aplicar na caderneta de poupança, investir em papéis e fundos de investimento de renda fixa, certificados de depósito bancário e outras formas que garantem menor risco;
  • Moderado – O segundo perfil, dos investidores moderados, reserva-se àqueles capazes de assumir algum risco em busca de alcançar resultados melhores. Um investidor moderado não está disposto a assumir altos riscos, mas compreende que precisa correr algum risco se quiser que seu capital aumente mais rápido. Podemos resumir dizendo que eles querem ganhar dinheiro e estão dispostos a correr algum risco. É fácil perceber que esta é uma categoria formada por uma mescla de algumas características da anterior (investidor conservador) com a posterior (investidor agressivo). As pessoas com tal perfil investem tanto em papéis e fundos de investimento de renda fixa como em ações e outras aplicações mais arriscadas;
  • Agressivo – O investidor agressivo é capaz de arriscar-se bem mais, isto é, possui uma tolerância a riscos muito mais alta, em busca de conseguir ganhar mais dinheiro em menos tempo. Os investidores agressivos são os verdadeiros “jogadores”, assumindo muitas vezes riscos que poderiam deixar investidores conservadores ou moderados loucos, tudo em busca de conquistar uma taxa de rentabilidade bem maior. Ao contrário do que se pode pensar, investidores agressivos também investem em papéis de renda fixa, entretanto suas principais opções são aquelas que lhe permitem uma rentabilidade bem maior, como aquisição de ações, investimentos no exterior ou em imóveis e compra e venda de moeda estrangeira.

Podemos dizer que os três papéis são muito importantes para o bom funcionamento do mercado financeiro: já imaginou quão instável seria o mercado se tivéssemos somente investidores agressivos? Da mesma forma, o que dizer sobre a lentidão para variações e, consequentemente rentabilidade e surgimento de investimentos para as empresas se todos fossem investidores conservadores?

Agora é a sua vez: pondo em prática

Nós já conhecemos os três principais perfis de um investidor, mas só isso não nos basta: precisamos agora identificar  qual é o nosso perfil.

Releia com atenção sobre cada um dos perfis (aliás, releia o artigo desde o início, pois o conceito de tolerância a riscos também é muito importante!), reflita e diga: qual o seu perfil de investidor?

Dica: Se você ainda se encontra indeciso, confuso, está começando e é bastante inexperiente, possui pouco capital para investir, pouco tempo ou recursos para dedicar-se realmente ao estudo dos tipos de investimentos ou não pode arriscar-se muito (pode ser um pai de família e com certeza não quer destruir todas as economias de sua família), então o seu perfil é o conservador.

Na verdade, costumo dizer que “na dúvida, comece pelo menos arriscado”, pois é aceitamos bem melhor a idéia de ganharmos menos do que perdermos muito, não concorda?

Com o tempo, você começará a querer buscar novas formas de investimento estará mais cientes sobre qual a sua tolerância a risco, quando então poderá escolher novos tipos de investimentos para a sua carteira e, assim sendo, adotar um perfil mais ousado (moderado ou agressivo) ou permanecer no mesmo, se sentir que ainda não pode avançar.

Exercício

Agora que você já conhece um pouco sobre os três principais perfis de investidores, hora de nosso exercício. O quê? Pensou que não teríamos exercício? Mas é ingênuo… 😛

Bem, vamos lá! Você já deve ter pesquisado, na última atividade, alguns tipos de investimento. Agora, aconselhamos que você pesquise  e leia sobre outras mais (veremos vários tipos mais à frente, mas quanto antes começar a ler sobre, mais sólida será sua base de conhecimentos) e liste todas elas em uma folha de papel (ou no computador, tanto faz).

Agora, crie três grupos: Conservador, moderador e agressivo. Escreva cada tipo de investimento em um ou mais desses grupos, segundo as preferências dos mesmos. Depois, tente estipular qual o percentual ideal a ser investido do capital em cada um desses investimentos a fim de se conseguir a rentabilidade e risco esperados por cada grupo.

Se tiver dúvidas sobre isso, pesquise na Internet ou em revistas (Você S/A, Exame e Pequenas Empresas Grandes Negócios publicam às vezes matérias focadas no pequeno e médio investidor) e veja qual o percentual ideal para cada um deles (na verdade, não há números fixos para cada qual, mas podemos estipular faixas para eles segundo condições de mercado, rendimento de poupança e papéis de renda fixa e variável, etc.)

Por fim, tente “montar sua carteira de investimentos” segundo o grupo em que acredita melhor encaixar-se, determinar quais os investimentos em que gostaria de investir e quanto deveria investir em cada um a fim de alcançar um rendimento mínimo esperado por você.  Sim, você está treinando para ser um bom investidor. 😀

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o minicurso Manual do Investidor]

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