Cooperativa é a solução?

Olá a todos os amigos e leitores do Clube do Dinheiro! Sentiram saudades de mim? 🙂 Espero que sim, pois eu já estava louco de vontade de bater um papo com vocês aqui!

O tema da discussão de hoje, cooperativa, é algo que geralmente não discutimos aqui, mas que surgiu do comentário de um de nossos leitores, o Samuel. Em nosso artigo Procurando sites para empréstimos pessoais? , Samuel escreveu um longo comentário e infelizmente não tive como respondê-lo até então. Peço desculpas e, hoje, espero dar a devida atenção ao que foi exposto por ele.

Resumidamente (pois o comentário é bem longo 🙂 ), Samuel comenta que já desenvolvera vários tipos de negócios, mas que o sucesso dos mesmos aparentemente não fora duradouro. Entretanto, ele percebe que as possibilidades de ganhos em um negócio podem ser mais interessantes do que em um emprego, desde que todos os envolvidos estejam realmente empenhados nas suas atividades (algo com que concordo e muito).

Por fim, ele propõe a criação de algum tipo de negócio (como um supermercado), onde cada um dos lá participantes seria ao mesmo tempo dono e empregado. Desta forma, cada qual recebia o seu pró-labore e parte dos lucros seria reinvestida no próprio negócio, a fim de que o mesmo cresça gradualmente.

Citei então como título para este artigo o termo cooperativa porque é a forma de empreendimento que melhor se encaixa nessa proposta. Vejam abaixo a definição de cooperativa da Wikipédia:

Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e democraticamente gerida.

A ideia é essa, não é? E sim, é uma ideia muito boa! Muitas cooperativas já foram formadas, principalmente entre profissionais que viram suas áreas de atuação serem fortemente suprimidas devido ao desenvolvimento tecnológico e empresarial de gigantes. Temos hoje, por exemplo, cooperativas de artesãos, cooperativas na área têxtil e, há algum tempo atrás, havia uma discussão em torno de fomentar uma cooperativa até mesmo em uma área bastante tecnológica, na parte de desenvolvimento de entretenimento digital.

A proposta é muito boa, mas alguns pontos precisam ser bem trabalhados, a fim de garantir o sucesso da empreitada. No seu exemplo, Samuel, você citou a possibilidade de formar uma cooperativa entre 500 pessoas com um capital inicial de R$ 500,00 de cada, somando assim um capital social de R$ 250.000,00. Mas, será que com somente esse capital é possível:

  • Adquirir o terreno onde o supermercado será construído e construí-lo? Ou alugar um espaço próprio para a atividade?
  • Adquirir todo o material necessário? Falamos aqui de equipamentos operacionais, administrativos, matérias-prima e tantas outras coisas;
  • Garantir o capital de giro? Não sei muito sobre funcionamento de cooperativas, mas em empresas em geral o capital de giro possui um papel importante, evitando que a empresa precise de empréstimos para pagar suas contas caso, em algum momento, ela entre “no vermelho” ou tenha alguma surpresa inesperada entre o período de contas a pagar e contas a receber.

Há outras contas a se considerar, claro, como as despesas com energia elétrica, água, telefone, etc. Mas, acho que já dá para termos uma noção sobre quantas coisas podem influenciar financeiramente.

E agora, um pouco mais sobre minha opinião… Como já disse, acho a ideia muito boa, mas eu, por exemplo, não participaria da mesma. Agora, vou explicar por quê:

  • Moro em Aracaju-SE, um bocado longe de onde você e outras pessoas que provavelmente participariam da empreitada morariam, logo eu não poderia acompanhar todo o processo  presencialmente, e para uma pessoa que gosta de falar sobre negócios, isso é praticamente uma tortura, não? 🙂
  • O número de participantes é muito alto. Como você comentou, cada sócio seria também empregado, responsável pela produção. Desta forma, suponhamos que cada qual deseje ter como salário algo próximo de R$ 1.000,00 (não estou pondo um valor alto para que não digam que tentei influenciar os dados negativamente!). Suponhamos também que os custos com matéria-prima (no caso, produtos a serem vendidos) e materiais de escritório para o primeiro mês fossem de R$ 100.000,00 a fim de alcançarmos tais salários… Neste caso, teríamos que conseguir um faturamento de R$ 600.000,00 (salários + matéria-prima), tal que possamos pagar a todos e então comprar mais matéria-prima. Perceba que nem incluí aqui as devidas tributações para fins de simplificação, mas já ficou visível que, se o capital social é de somente R$ 250.000,00, será bem complicado conseguir um faturamento mensal de R$ 600.000,00 a fim de equilibrar a balança. Além disso, dependendo das dimensões do supermercado, talvez não seja necessário reunir cerca de 500 pessoas e até mesmo possa trabalhar com um valor menor. Um tio meu possuía um supermercado de bairro (um supermercado, não uma rede! 🙂 ) e não havia mais que 6 pessoas trabalhando lá. Claro, fica bem mais difícil dividir os custos com poucas pessoas, mas quanto mais pessoas na empreitada, maiores terão que ser os ganhos para que funcione;
  • Está fora de meu foco. 🙂 Uma coisa é investir em um negócio e outra bem diferente é investir e trabalhar nele. Atualmente já possuo um (novo) emprego, como professor, e tenho meus negócios online (que estão a consumir bastante do meu tempo, já que há pouco tempo precisei reduzir a equipe 🙁 ). Logo, não seria do meu interesse aderir a mais um tipo de negócio que exija minha participação ativa, ao menos não agora;
  • Falta uma melhor organização das informações. Como se pode ter certeza de que com 500 pessoas e R$ 250.000,00 poder-se-á desenvolver tal tipo de empreitada? Como podemos avaliar os custos e o faturamento? Tudo isso precisa estar bem discriminado em um plano de negócios… Sim, mesmo sendo uma cooperativa, um plano de negócios é importante – afinal de contas não deixa de ser um negócio! Ao menos uma versão simplificada, tal que os interessados possam ver e ter certeza de que não estão “embarcando em uma furada”.

Acredito que estes são os pontos mais importantes porque eu, Christiano, não entraria nessa empreitada. Obviamente, talvez um outro tipo de negócio, cuja execução e acompanhamento online fosse mais fácil e com todos os valores bem apresentados, talvez atraísse mais a minha atenção.

Como falei no início, a ideia é muito boa, falta agora algum refinamento em cima dela. E sim, cooperativas podem ser interessantes e lucrativas para aqueles que estão envolvidos nelas, mas para isso é bom que você entre em uma cooperativa não somente por motivos financeiros, mas também porque gosta daquilo que irá fazer lá – lembre-se, você estará trabalhando lá dentro também!

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2 comments

  1. Douglas Silva says:

    “surpresa inesperada”?

    Ótimo artigo 😉

  2. admin says:

    Obrigado, Douglas! Este é um assunto que ainda não havíamos comentado em nosso blog. No ano de 2011, falamos bastante sobre franquias. Espero que, em 2012, falemos ainda mais sobre franquias – são excelentes oportunidades para quem possui capital, mas não sabe bem como proceder no mundo dos negócios – e também sobre cooperativas – quem sabe de tanto estudo não acaba saindo um modelo viável que alguns de nossos leitores possam tornar real? 😉

    Um abraço e sucesso!

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