Educação financeira, uma vantagem desleal

E aqui vamos ao penúltimo capítulo da obra de Robert Kiyosaki, Conspiracy of the Rich (aqui referenciada como A Conspiração dos Ricos). Bem, o autor prometera por diversas vezes que neste capítulo ele nos ensinaria finalmente como começarmos identificarmos oportunidades e como ganhar dinheiro, então agora devemos finalmente chegar lá, não? 😉

Antes de mais nada, o autor começa seu capítulo repetindo aquilo que ele prevê como sendo o futuro da economia não somente norte-americana, mas do mundo como um todo:

  • Aumento das taxas e impostos como forma do governo conseguir mais dinheiro para manter a máquina administrativa;
  • Aumento do débito, uma vez que as pessoas precisariam de mais dinheiro para viver e, uma vez não o tendo, ver-se-iam obrigadas a adquirir alguma linha de crédito a fim de “amenizar a situação” (claro, isso não ameniza nada, mas tudo bem);
  • Aumento da inflação, pois conforme mais e mais dinheiro é impresso, menor será o seu valor devido à quantidade que há em circulação, bem como outros países precisariam imprimir mais dinheiro a fim de que suas moedas não sejam tão fortes a ponto de prejudicar as exportações;
  • Aumento no custo da aposentadoria, pois conforme a população for envelhecendo, devido aos problemas anteriores que citamos, o sistema terá dificuldades em conseguir manter de forma digna a aposentadoria daqueles que pagaram por ela, tendo como única saída a possibilidade de aumentar ainda mais taxas e impostos a fim de recolher mais dinheiro.

Se observarmos bem os quatro pontos, perceberemos que todos contribuem para aumentar ainda mais o custo de vida, principalmente para as classes média e baixa (em minha opinião, o aumento se dá principalmente na classe média no Brasil, uma vez que o governo oferece diversas “bolsas” a fim de minimizar os problemas das classes menos favorecidas, enquanto que temos diversos problemas de corrupção daqueles que estão nas “classes superiores” – quem está então sendo esmagado, vendo seu dinheiro esvair?).

E agora, o que fazer para conseguir reverter essa situação? Segundo Robert, há somente um jeito:

Educação Financeira – A vantagem desleal

Robert chama educação financeira de vantagem desleal pois ela lhe dá a oportunidade de melhor analisar cada fator e, então, buscar sempre a melhor forma de utilizar isso a seu favor.

Ele cita, por exemplo, que se pode empregar os impostos, débitos e inflação a seu favor. Segundo ele, deve-se buscar:

  • Utilizar os impostos a seu favor, isto é, procurar legais meios de pagar menos impostos, no caso por meio das deduções;
  • Utilizar o débito a fim de adquirir ativos capazes de gerar-lhe mais dinheiro do que o que precisará pagar por aquele débito;
  • E ter seus rendimentos mensais reajustados de acordo com os índices de preço do mercado, de tal forma que se há inflação, possa ganhar mais dinheiro, não sendo assim prejudicado pela mesma.

Renda x Ativos

E aqui Kiyosaki nos aponta mais uma vez uma imagem mostrando como funciona a entrada e saída de capital de alguém que não se educa financeiramente e contrasta com aquela de quem se educa. Veja abaixo:

Fluxo de Caixa segundo Kiyosaki

No exemplo acima, vemos as quatro regiões em que Kiyosaki divide ganhos e gastos de uma pessoa ou família, determinando assim qual será o seu fluxo de caixa. Uma rápida explicação sobre as quatro divisões:

  • Renda – rendimento obtido mensalmente, onde está incluso o salário do trabalhador, outras fontes de renda ativa e os rendimentos provenientes de seus ativos;
  • Despesa – toda a despesa mensal. Inclui-se aqui não somente os custos de vida como aluguel, contas de água, telefone e eletricidade, mas também os impostos e débitos de cartões de crédito;
  • Ativos – tudo aquilo que pode ser adquirido com a finalidade de ganhar dinheiro mensalmente (ou em outra periodicidade). Podemos considerar aluguéis de nossos imóveis, licenças de propriedade ntelectual, etc;
  • Passivos – diversas coisas que podemos adquirir, geralmente encarando como um “ativo” ou uma solução para nossos problemas, mas que na verdade acrescentarão mais despesas. Exemplos são hipotecas, financiamento, empréstimos, etc.

Caso deseje uma descrição mais detalhada, a obra Pai Rico, Pai Pobre pode fornecer-lhe. Bem, continuando, segundo o autor da obra que estamos estudando, o problema é que pessoas com mentalidade pobre geralmente focam no quadrante das rendas, isto é, o que acabar por aumentar também impostos e outras taxas (despesas).

Já pessoas de mentalidade rica geralmente focam nos ativos, isto é, em meios que podem lhe prover mais dinheiro mensalmente e que não apresentem taxas tão altas.

Combinando essa figura com aquilo que Kiyosaki comentou anteriormente a respeito de “taxas, débito e inflação”, ele começa então a discutir como se utilizar de débito a fim de conseguir gerar ativos.

Entretanto, convém lembrar que adquirir débito só é interessante se você tiver uma boa educação financeira e conhecer realmente aquilo em que está aplicando. Robert Kiyosaki, por exemplo, usa o débito para adquirir novos imóveis e ele não pretende vendê-los, mas sim alugá-los a fim de ter uma renda mensal “infinita”.

Eu, por exemplo, após ler este capítulo estou começando a pensar seriamente a respeito do que eu poderia fazer a fim de conseguir ter uma renda estável. Essa tarefa não é fácil e exige que você faça muitos cálculos, considerando não somente os custos para aquisição do ativo, mas também o quanto deverá desembolsar em taxas.

Segundo Kiyosaki, um fórmula interessante é:

  • Adquirir um ativo;
  • Fazer alguma melhoria que possa valorizá-lo;
  • Utilizá-lo de alguma forma a fim de ter rendimentos mensais sem precisar esforçar-se para tal.

Dito assim, realmente parece “fácil”, o problema é que não é. O conceito é fácil, entender como funciona também, difícil é encontrar qual a melhor oportunidade, aquela que se adequa realmente ao seu perfil. Eu, por exemplo, estou pensando muito em torno de negócios na web e imobiliários. Claro, não tenho capital para “entrar de vez” neste segundo, mas tenho minha estratégia para como posso fazê-lo, mas preciso, claro, ter certeza de que será esta a melhor escolha – e você deveria fazer o mesmo, também.

Vantagens conquistadas com a “vantagem desleal”

Na medida em que você desenvolve a sua inteligência financeira, você conseguirá vários benefícios como:

  • Expandir seus meios em vez de viver abaixo dos meios – em vez de atuar reduzindo despesas, você poderá atuar aumentando o número de ativos, gerando assim maior renda e, portanto, podendo gastar mais;
  • Imprimir seu próprio dinheiro – quanto maior for sua capacidade de ganhar dinheiro com seus ativos, você precisará cada vez de menos dinheiro para ganhar mais dinheiro, num processo que torna cada vez mais fácil aumentar suas riquezas.

Aprenda na prática

Outro ponto a se destacar é a sua crítica ao fato de que as escolas tentam educar nossos jovens por meio de leitura e aulas expositivas, a pior forma de aprendizado, segundo o Cone de Aprendizado de Bruce Hyland.

Discutir e experimentar são as melhores formas de aprender e se realmente queremos desenvolver nossa inteligência financeira, nós deveríamos focar nessas abordagens.

E como imprimo o meu próprio dinheiro?

Em uma primeira análise rápida, pode parecer que os mecanismos que ele ensina para ganhar dinheiro simplesmente não funcionam, mas lembrem-se que ele fala principalmente do ponto de vista norte-americano, isto é, observando o mercado americano e as diversas formas de ganhar dinheiro lá.

No Brasil, investimentos, mercado imobiliário e tantas outras formas de ganhar dinheiro que ele discute são um pouco diferentes.

A minha opinião é que deveríamos pegar cada uma das formas que ele aprova ou critica, analisar por meio de dados numéricos (em uma simulação, como ele mesmo incentiva) e verifiquemos quais as taxas envolvidas (“e dá-lhe imposto de renda!” que você pode saber melhor no site da Receita Federal). Só assim poderemos saber realmente se são formas válidas de imprimir seu próprio dinheiro.

Vale lembrar que ele não aponta a compra e venda de ações como uma forma de ativos, uma vez que o dinheiro não viria como fluxo de caixa, mas sim como ganhos de capital, isto é, realização de ganhos por meio da venda de algo.

Bem, para onde seguir agora? Excelente pergunta, mas acredito que antes de começar a ler o último capítulo vou dedicar algum tempo mais a reler este capítulo e compreender melhor o conceito passado. Você deveria fazer o mesmo!

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o minicurso Estudando a Conspiração dos Ricos]

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