Etapa do convencimento pessoal

Olá meu amigo! Você chegou bem a tempo de iniciarmos nossas discussões sobre Planejamento Financeiro, tendo como base o livro As 5 Etapas do Planejamento Financeiro, do prof. Elisson de Andrade. E hoje discutiremos sobre as primeiras páginas da obra (Prefácio, seção “Por que devo planejar minhas finanças?” e Introdução) até o primeiro capítulo do livro, o capítulo “Etapa do convencimento Pessoal”.

Aos que estão um pouco perdidos por não terem lido nosso artigo anterior, decidi por realizar uma discussão em torno da obra do prof. Elisson, doutor em Economia pela USP, com o intuito de jogar uma nova luz sobre o tema aqui em nosso blog (que, aliás, já faz um bom tempo que não discutimos sobre tal assunto de forma tão aprofundada).

E, sinceramente, estou gostando dessa decisão, pois o e-book de Elisson vem acompanhado de um “diário de bordo”, um documento a ser impresso e preenchido ao longo do curso (forçando-nos a realmente refletir sobre os temas, e não somente ir avançando de um capítulo para outro) bem como outras ferramentas que serão apresentadas mais à frente.

Em minha opinião até o momento, o e-book apresenta suas informações de forma bem clara e objetiva, Eu prefiro livros que entrem em maior grau de detalhamento sobre o assunto, mas muitos dos internautas provavelmente desistiriam de sua leitura caso o autor procedesse dessa forma, então acredito que esta foi uma decisão bem acertada também. Até o momento, acho que a única coisa que poderia agregar ainda mais valor à obra seria a apresentação do conteúdo em vídeo também, o que permitiria o uso de novos recursos visuais que impactam melhor sobre a aprendizagem daqueles que preferem este outro canal de comunicação.

Agora, voltemos a falar de nossas discussões… Decidi realizá-las da seguinte forma: pensei primeiro em apresentar um resumo de todo o capítulo junto com as minhas impressões, mas não sei se seria justo com a obra (algumas pessoas deixariam de lê-la acreditando já terem lido “todo a parte importante” aqui), sendo assim, em vez disso, trarei somente alguns dos trechos mais importantes aqui (marcados como blockquotes) e então apresentarei meu ponto de vista sobre o que foi tratado.

BÔNUS: enquanto realizava minha leitura, selecionei vários trechos da obra original (muito mais do que os apresentados aqui) e fiz minha reflexão para cada um desses trechos, o que está virando praticamente um novo e-book. 🙂 A fim de não desperdiçar tais esforços e incentivar a aquisição do livro As 5 Etapas do Planejamento Financeiro (o autor merece, a obra, a julgar pelo que li até o momento, é muito boa), quando concluídas todas as minhas anotações, compilarei em um e-book (sim, com algumas ilustrações, diagramas “bonitinhos” e tal) e distribuirei para aqueles que realizarem a compra do e-book a partir de nosso blog. O bônus ainda não está disponível, mas deverá estar pronto dentro de três ou quatro semanas, pois estou refletindo se vale a pena acrescentar ainda um outro bônus. 🙂 Ah, e quem já comprou o e-book por meio deste blog (já vi que algumas vendas foram realizadas, e agradeço a confiança no autor e em nós como revisores) não precisa se preocupar, pois também receberá informações sobre como proceder para receber esse bônus!

Bem, vamos agora começar nossa discussão?

Para começo de conversa…

O planejamento pode diminuir, mas não eliminar completamente os imprevistos de sua vida. (p. 6)

Essa frase é dita por Gustavo Cerbasi (você conhece… autor de “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, lembra?) ainda no prefácio da obra e achei bastante pertinente e importante destacar.

Se você quer realmente obter êxito em seu planejamento financeiro, fixe bem essa afirmação em sua memória (aproveite para relê-la agora mesmo!). E por quê? Por que uma das razões de muitas pessoas desistirem de tentar mudar sua situação financeira é porque acreditam que planejar eliminará todos os imprevistos.

E não, mesmo planejando há sempre espaço para incidentes inesperados! Seu carro pode quebrar, você pode ter um problema de saúde ou tantas outras coisas. E incidentes inesperados significam gastos inesperados geralmente. Então, se você iniciar sua jornada sobre Educação Financeira e Planejamento Financeiro acreditando que tais imprevistos irão desaparecer, é bem provável que quando o primeiro imprevisto surgir você se sentirá tão frustrado que abandonará todos os avanços e retrocederá para sua antiga “zona de conforto”. Entretanto, se você compreender e aceitar que imprevistos sempre podem ocorrer, você estará ainda mais confiante de seu êxito em sua jornada, afinal de contas imprevistos já eram previstos!

[…] o futuro é repleto de incertezas, sendo que muitas delas estão além do nosso comando. Mas é exatamente tal característica que faz do planejamento algo tão importante, pois possibilita que estejamos minimamente preparados para lidar com o inesperado. (p. 8)

Aqui já são as palavras do autor (Elisson de Andrade), destacando quão incertas podem ser as coisas ao nosso redor. E como já mencionamos anteriormente, o fato de você planejar-se não irá eliminar todos os imprevistos que há por vir, entretanto, permite-lhe pensar e agir com maior clareza naqueles momentos.

Comparo tal situação a navegar em um grande oceano e, de repente, estar em meio a um nevoeiro muito denso. E agora, o que fazer? Como proceder? Bem, se você tem um plano estabelecido (e as competências necessárias, claro), saberá como proceder e livrar-se do mesmo!

Agora eu quero que você pense um pouco: quantas coisas em sua vida poderiam ser diferentes hoje se, há cinco, dez ou quinze anos atrás você tivesse buscado um caminho diferente? Não falo com isso sobre sacrificar todos os momentos de lazer (alguns pensam – erroneamente – que planejamento financeiro é sinônimo de uma vida inteira de sacrifícios financeiros), e sim de aproveitá-los no momento certo, tal que o peso em seu bolso seja bem menor. Talvez hoje você tivesse maior liberdade para realizar suas escolhas, não?

O dinheiro, reconhecidamente, afeta sobremaneira o lado emocional das pessoas – principalmente a falta dele. Problemas conjugais e menor produtividade no ambiente de trabalho são apenas dois exemplos em que dificuldades financeiras possuem presença marcante. (p. 11)

E aqui vai uma reflexão sobre uma situação que, na melhor das hipóteses, é engraçada: muitos pais ensinam seus filhos que “dinheiro não possui importância” ou que “dinheiro não traz felicidade”, porém contrariando aquilo que ensinam, vivem a reclamar e/ou discutir sobre suas dívidas ou sobre como esta ou aquela compra que o cônjuge fez prejudicou o orçamento. Se o dinheiro não é importante, porque a sua falta “faz tanta falta”?

Eu digo que essa situação é no mínimo engraçada porque, na verdade, ela é bastante desastrosa, pois aponta que, devido a “raciocínios culturais” (o famoso senso comum) fortemente enraizados sobre o dinheiro tais pessoas não conseguem perceber o real problema que há em seus lares e, dessa forma, não podem corrigi-lo. Como se pode corrigir um problema quando não se reconhece a verdadeira causa? E é bem provável que você já saiba qual é a consequência de não se ter tal conhecimento – o problema vai crescendo e “descendo ladeira abaixo”, transformando-se em uma bola de neve e destruindo tudo o que há pela frente.

Algumas empresas já buscam, em caráter pioneiro, consultorias e cursos sobre finanças pessoais para seus funcionários e, com isso, conseguem melhor produtividade, afinal de contas a produtividade de uma empresa é a soma da produtividade de seus colaboradores (empregados)!

Então, aqui vai uma dica: toda vez que se perceber reclamando sobre a falta de dinheiro, em vez de somente “choramingar” por não tê-lo, que tal tentar entender por que o mesmo não está sendo suficiente e buscar formas para mudar tal situação? Em outras palavras, aja mais racionalmente! Bem, mas vamos com calma, que ainda não chegamos nessa parte – estamos ainda na Introdução!

Vamos agora entrar na discussão sobre o primeiro capítulo da obra, “Etapa do Convencimento Pessoal” que, como o próprio nome diz, aponta a importância de que a própria pessoa reconheça por que é importante mudar sua vida financeira e planejar-se melhor – sem esse devido reconhecimento e motivação, é bem provável que tal pessoa desista no meio do caminho!

Etapa do convencimento pessoal

Quando uma pessoa encontra-se em dificuldades financeiras ou quando percebe que trabalha, trabalha, trabalha, mas não consegue acumular riqueza alguma, com o passar do tempo ocorre um desânimo natural, uma diminuição da auto-estima. Ter uma vida financeira confortável torna-se algo distante, quase impossível de ser imaginado. (p. 15)

E então começa o processo de auto-sabotagem! Deixe-me explicar melhor como isso funciona…

João deseja ter uma motocicleta nova e, para isso, decidiu economizar um pouco a cada mês. Infelizmente, ele não está seguindo todos os conselhos do prof. Elisson e, com isso, o processo está sendo muito lento e ele encontra-se muito frustrado, acreditando até mesmo que nunca alcançará tal objetivo. Tal desânimo, em vez de ajudá-lo a tentar identificar as falhas cometidas, o levará a provocar outras. Provavelmente ele usará uma parte do dinheiro que está economizando com tanto esforço na compra de algo que possui menor importância em sua vida do que a motocicleta, porém cuja aquisição é bem mais barata. Além disso, por estressar-se mais com o trânsito, pode estar a trabalhar menos produtivamente, e ao chegar em casa sente-se menos motivado a buscar alternativas para mudar sua situação (buscar um novo emprego, estudar para um novo curso ou concurso, reavaliar seus conhecimentos em finanças pessoais, etc.).

E, como se pode perceber, “é isso que mata”, isto é, a sua falta de motivação causada pelos problemas financeiros pode levar a mais problemas, tanto financeiros quanto em outros campos de sua vida. Este é também um exemplo da “espiral de decadência” comentada por Gustavo Cerbasi – e uma vez nela, se não houver uma postura ativa da pessoa, é bem difícil livrar-se!

E adivinha só o que acontece quanto mais entramos nessa espiral?

No Brasil, de maneira geral, somos pouco educados financeiramente, extremamente emocionais e, assim, facilmente fisgados por campanhas de marketing que nos estimulam ao consumismo. (p. 17)

Enquanto que nós, cidadãos, não temos uma boa educação financeira nas escolas e universidades (muitos até nunca leram sobre o assunto!), as empresas contratam profissionais qualificados em Marketing (graduação de cinco anos, outros 1 ou 2 em uma especialização e vários anos de experiência profissional) para convencer-nos a adquirir seus produtos. E aí, ficou fácil entender por que essa é quase uma “guerra perdida” para nós?

Veja bem, não estou dizendo que profissionais de Marketing são “demoníacos”, nada disso, trata-se inclusive de um tema que gosto muito de estudar! O que critico aqui é a falta de melhor formação e informação das pessoas para avaliarem adequadamente aquilo que vêem e ouvem e assim poderem tomar melhor suas decisões! Naquele mesmo cenário, se tivéssemos uma disciplina sobre Educação Financeira nas escolas e discutíssemos o assunto de forma mais aberta e racional com nossas famílias, tenho certeza de que essa equação estaria mais bem balanceada e todos sairiam ganhando (ou, pelo menos, nós não sairíamos perdendo).

Quando temos uma boa Educação Financeira, podemos tomar decisões de forma bem planejada. Podemos determinar se é melhor adquirir um produto ou serviço hoje ou esperar por outro melhor momento (uma compra em atacado, ou em um local com preço mais acessível, por exemplo), se vale mais a pena contratar o serviço de um profissional ou fazê-lo nós mesmos ou se é uma boa hora para utilizar-se de crédito em uma compra e as possíveis consequências disso.

Os conselhos do pai pobre eu ouvi durante toda a minha infância e juventude, em especial aquele que diz “estude arduamente para poder trabalhar em uma boa empresa”. […] Não é fácil ver a riqueza com bons olhos quando se cresceu ouvindo frases bíblicas do tipo: “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” […]. Outro conselho muito equivocado do pai pobre é aquele que diz “não ligo pra dinheiro, dinheiro não é importante”. (p. 23)

Selecionei os trechos com os ensinamentos à la “mentalidade pobre” que a aluna do prof. Elisson comentou para que refletíssemos um pouco.

Será que só estudar arduamente garante meu sucesso profissional e financeiro nos dias atuais? Se sim, por que há tantas pessoas com graduação e cursos técnicos desempregadas? E por que tantas pessoas infelizes mesmo empregadas? Por que elas não alcançam seus objetivos financeiros?

Por que consideramos que os ricos “merecem menos o céu” do que os pobres? Será que o simples fato de terem dinheiro realmente torna essas pessoas ruins e o fato de outras não o terem as torna boas? Há realmente lógica nisso? O dinheiro molda o caráter da pessoa ou ele é um recurso?

Dinheiro realmente não é importante? Ou seria melhor dizermos que o dinheiro importa naquilo que ele pode interferir direta ou indiretamente (por exemplo, na compra de uma casa ou na contratação de um plano de saúde melhor)?

“Dinheiro não compra felicidade, mas manda buscar” (ou pelo menos paga o frete! 🙂 ). Dinheiro não compra saúde, mas pode pagar um bom plano de saúde. Dinheiro não traz segurança (e pobreza, também não!), porém pode ajudar a adquirir uma moradia mais segura ou contratar serviços de uma empresa de vigilância, por exemplo.

Não quero aqui que supervalorizemos o dinheiro, mas também não é benéfico subvalorizarmos o mesmo. Como já deixei claro ao longo desse texto, trata-se de um recurso, meio que podemos usar na aquisição de bens e serviços, tanto os essenciais quanto os desejáveis.

Minhas considerações sobre esse capítulo

Se após essa primeira etapa você não se sentir convencido ainda sobre a importância de melhor planejar-se quanto à gestão de seu dinheiro, não prossiga com a leitura! Retorne ao início do capítulo e releia-o (isto é, quem adquiriu o e-book), releia também suas anotações em seu diário de bordo (você está preenchendo-o, não é mesmo?) e reflita sobre sua situação financeira, os benefícios que você pode usufruir por meio desse tipo de educação e só continue a leitura quando sentir-se convencido de sua importância!

Prosseguir sem a devida motivação será um empecilho na continuidade de nossos estudos, então é melhor demorar um pouco mais para avançar do que “empacarmos” mais à frente ou até desistirmos, não é mesmo?

Eu já sei o que desejo alcançar por meio de uma melhor Educação Financeira, e você, já sabe aonde quer chegar (e este é um ponto essencial, pois o seu objetivo, juntamente com um bom planejamento, é que irá balizar suas ações)?

Espero que tenham gostado das discussões e reflexões sobre este primeiro capítulo. Por favor, agora gostaria de ouvir vocês, por meio dos comentários (finalmente os desbloqueei, eu esqueci de fazer isso quando reinstalei o blog! XD ). E até a nossa próxima discussão, provavelmente sobre a Etapa do conhecimento financeiro!

Quer receber nossos artigos em seu e-mail e "de quebra" baixar nossos e-books "Manual do Investidor" e "Como Ficar Rico - dicas, dúvidas e comentários"?

E-mail:

One comment

  1. Carmen Lima says:

    Olá Cristiano!

    Teus artigos merecem desde há muito tempo o meu maior apreço e elogio.
    O profissionalismo é matriz tanto nos assuntos tratados, como na qualidade e importância das informações transmitidas aos leitores.
    Você é um dos caras que merece ter sucesso.
    Faz bem, com empenho e com paixão.
    Desde um bom tempo que tencionava publicar este testemunho mais que merecido.
    Foi hoje.
    Parabéns 1000!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *