Eu trabalho demais?

Talvez sua esposa ou marido já tenha lhe dito que você está trabalhando muito, seus filhos dizem que você não lhes dá atenção o suficiente ou até mesmo você já está começando a se perguntar se não está trabalhando demais. E aqui entra uma grande dúvida, afinal de contas se quero ganhar dinheiro preciso dedicar tempo ao trabalho e a aperfeiçoar-me, mas também preciso de tempo para a minha família bem como para minhas próprias atividades pessoais. E agora, como saber se estou trabalhando demais e o que posso fazer para reverter isso?

Sei que alguns de vocês esperavam mais um artigo do curso sobre Como criar um blog de sucesso. Ainda não está pronto, mas estou trabalhando nisso! Não se preocupem que, assim que estiver pronto, será publicado!

Comecei a refletir sobre essa discussão lendo um artigo do Dinheirama comparando a atual Geração Y com a geração anterior. Nessa discussão, ele aponta que a Geração Y é “worklover”, isto é, ama o seu trabalho, mas não se deixa escravizar pelo mesmo, o que muitas vezes acontece a quem é “workaholic”. Apesar de concordar que o cenário atual (grandes avanços tecnológicos, globalização, disponibilidade de informação, ferramentas automatizadas para análise e execução de tarefas, etc.) tem facilitado e muito a busca por novas formas de conciliar trabalho e vida pessoal, sei também que a atual geração muitas vezes peca feio por dois aspectos: auto-confiança excessiva (quase se considerando “superman”) e “síndrome de multitarefa” (acredita que pode realizar bem diversas tarefas ao mesmo tempo, mas no fim o resultado é no máximo mediano).

Em outras palavras, se a nova visão da geração Y sobre o trabalho traz benefícios, há também alguns malefícios, provenientes também da cultura empregada pelo cenário atual.

E não importa se você é da geração X, Y, Z ou Ômega-300 (gostou dessa? Acho que vou patentear 🙂 ), se você quer alcançar seus objetivos financeiros você terá que trabalhar, seja em um emprego (seguindo seu plano de carreira), seja em seu próprio negócio ou investindo. Mas deve haver um limite saudável entre o seu trabalho e o tempo gasto em sua vida pessoal, não?

Determinar se você está trabalhando demais é bem simples: é só observar se as coisas ao seu redor (fora do trabalho) começaram a “desandar”. Aqui estão alguns sinais de que sua rotina de trabalho não está lhe fazendo bem:

  • Por mais que você trabalhe, quando vai para casa sempre fica aquela sensação de que “ainda não foi o suficiente”;
  • Você já não conversar ou brinca com seus filhos diariamente ou não pode dedicar o fim de semana inteiro para eles;
  • Sua esposa já criticou a sua rotina de trabalho… Provavelmente esta semana… Pior ainda se foi hoje mesmo (por hoje, refiro-me ao momento em que você está lendo este artigo, e não agora, às 00:45 de um sábado de feriado!);
  • Em seu trabalho, você sempre se encontra “desesperado”, correndo para terminar tudo, e muitas vezes se sente obrigado a fazer hora extra.

Se respondeu sim para qualquer uma dessas perguntas, mesmo que tenha sido para somente uma delas, então sua rotina de trabalho não está lhe fazendo bem. Talvez você seja mesmo um “workaholic” ou talvez esteja somente tendo problemas para ser produtivo – lembra-se do que falei sobre a atual geração e sua “síndrome multitarefa”? Talvez até mesmo seja necessário trabalhar mais nessa fase inicial (como ocorre com muitas startups), mas está lhe faltando um plano de negócios ou de carreira claro, que lhe aponte como proceder e assim tornar-se mais confiante. Ou talvez você simplesmente está no tipo de emprego errado para você e por isso custa-lhe tanto alcançar a produtividade necessária!

Para cada uma dessas situações há soluções bastante específicas, que não serão discutidas aqui. Em vez disso, apontarei os pontos essenciais que podem ser empregados para qualquer uma dessas situações, uma “solução quase universal”.

Passo 1. Determine se você está no trabalho certo para você

Algumas pessoas podem estar no emprego ou negócio errado para elas, algo que não é compatível com seu perfil, competências e pontos fortes. Se esse é o seu caso, é bom então estudar outras opções e determinar qual seria a melhor opção para você.

Obviamente, determinar qual o tipo de emprego ou negócio é mais adequado a cada pessoa é um tema bastante extenso e não poderei discuti-lo aqui hoje. Entretanto, há livros focados nisso, em ajudá-lo a reconhecer suas competências e pontos fortes. Uma boa leitura, então, pode ser bem útil.

Passo 2. Determine aonde você quer chegar

Se você quer planejar sua viagem da cidade A até a cidade B você precisa, antes de mais nada, saber onde ficam as cidades A e B, não é mesmo? Pois bem, a “cidade A” é a sua vida hoje: seu trabalho, sua família, amigos, atividades pessoais etc. A “cidade B”, seu destino, é aquilo que você quer ser ou ter daqui a 10 ou 15 anos.

Pense bem: quem você quer ser daqui a 15 anos? Em que deseja estar trabalhando? Que conhecimentos e competências deseja ter? Se você não souber aonde quer chegar, nunca chegará lá!

Passo 3. Trace o seu plano

Quem tem ou deseja ter um negócio deve traçar um plano de negócios, já quem foca em uma carreira deve ter então um plano de carreira. E o mais engraçado é que são poucos os empregados ou empreendedores que possuem um plano de verdade! E depois reclamam por não saberem como conduzirem suas vidas profissionais!

Se você executou corretamente os dois passos anteriores, precisa agora identificar tudo o que precisa para adquirir os conhecimentos e competências necessários para chegar ao seu objetivo. Liste cada coisa e o tempo e investimento necessários para alcançá-la.

Passo 4. Adéque seu plano ao seu tempo

Se você, assim como eu, quer “abraçar o mundo”, tem agora um plano que exige muito mais tempo e recursos de você do que gostaria para ser concretizado. Não se preocupe, é normal. Agora, é hora de ir ajustando ele, encaixando-o dentro de sua disponibilidade ao mesmo tempo em que reserva tempo para sua família, amigos e demais atividades sociais ou pessoais.

Isso é fácil? Não, não é. E é geralmente aqui aonde nos perdemos, pois quando as coisas parecem “sair dos trilhos”, acabamos sacrificando o tempo dedicado a algo para corrigir outra falha. Mas não se preocupe que nem todo esforço será em vão. Se você elaborar seu plano em papel bem direitinho, será fácil perceber que está fugindo do mesmo e voltar então à linha.

Lembro mais uma vez que você precisa dedicar tempo também para a sua família e atividades não relacionadas ao trabalho! Repito, adéque o plano ao seu tempo! Se não o fizer, estará jogando fora toda a preparação que tivemos até aqui para os próximos passos!

Passo 5. Trace metas e planos anuais, mensais e semanais

Se você tentar aprender uma nova língua, cursar um MBA, abrir uma startup e ainda manter um emprego, acabará louco. Sim, eu sei que todas essas coisas podem e devem ser importantes para o seu futuro, mas tudo precisa ser feito ao seu tempo, lembra? Se você calculou que possui tempo disponível somente para estudar inglês nos sábados pela manhã, não adianta tentar “empurrar” para os horários noturnos durante a semana, pois prejudicará seus momentos com a sua família. Se você possui um emprego de 40 horas semanais, iniciar uma startup que requer muito de sua atenção agora pode ser loucura!

A partir de seu “plano mestre”, determine quais devem ser suas metas para o ano que virá, bem como realize um plano para atingi-las. Após isso, no início de cada mês, trace submetas para ajudá-lo a alcançar suas metas anuais gradualmente e então defina que tarefas pode executar naquele mês. De forma similar, você pode descer até o nível semanal.

Se isso ajuda? Em minha opinião, ajuda e bastante! Desde 20 de maio deste ano tenho buscado meios de monitorar e analisar quanto tempo gasto em cada tarefa bem como realizado planejamentos semanais e os resultados são bem interessantes, pois melhoraram e muito meu foco naquilo que devo fazer. E por falar em foco…

Passo 6. Busque meios de melhorar sua produtividade

Às vezes, você pode fazer mais em menos tempo, o que melhora sua auto-confiança e o permite usufruir melhor de seu tempo livre com a sua família (em vez de ficar preocupado, pensando no tanto de trabalho que terá no dia seguinte). E como você consegue melhorar sua produtividade? Acredito que cada qual segue suas próprias “regras de produtividade” e aqui estão algumas das minhas:

1. Não acessar a Internet durante o trabalho;

2. Acessar e-mails e redes sociais só uma vez por dia (e fora do trabalho!);

3. Concentrar-se em uma tarefa de cada vez (e agrupar tarefas similares para serem realizadas “em série”);

4. Ao final do dia, planejar o dia seguinte (ou pelo menos planejar semanalmente!);

5. Não perder tempo com tarefas desnecessárias ou de terceiros (aprenda a dizer NÃO);

6. Não desperdiçar tempo na frente da TV (perfeito para quem trabalha em home office);

7. Comece cada semana e cada dia realizando primeiro as tarefas mais urgentes ou com maior impacto para a empresa em que trabalha, mesmo que seja algo que você não gosta muito de fazer!

Tais regras parecem simples demais à primeira vista… Mas tente segui-las e você perceberá uma ou duas coisas: (1) mais tempo sobrará e (2) você talvez fique um pouco nervoso por deixar de fazer certas coisas que, antes, eram feitas de forma impulsiva ou por “puro vício”. Se as duas coisas acontecerem, ótimo! 🙂

Outra dica que vou lhe dar: se você gosta de ouvir música enquanto trabalha, escolha músicas calmas e sem vocal (isto é, só a parte instrumental). Dessa forma, seu cérebro não tenta focar na letra da música, o que prejudicaria um pouco sua concentração (e em momentos que requerem concentração extrema, é melhor desligar o áudio!).

Passo 7. Saiba aproveitar o seu tempo livre

Às vezes, as “crises” que temos em nossos relacionamentos ou mesmo de consciência em relação ao nosso tempo de trabalho se devem também ao fato de não aproveitarmos bem nosso tempo livre. Realizar uma meditação diária de 15 minutos, por exemplo, é algo bem fácil e pode ajudá-lo a relaxar bastante! Dedicar 45 minutos após o jantar para uma diversão para toda a família enquanto conversam sobre o dia de cada um é uma boa forma de melhorar a comunicação familiar.

E o mais importante a respeito de aproveitar seu tempo livre: evite reclamar do seu dia de trabalho ou comentar de forma pessimista do volume de trabalho que você terá no dia seguinte. Fale sobre o mesmo de forma mais otimista, aponte o que foi melhor hoje e com certeza toda a sua família perceberá mudanças em você e no ambiente familiar!

Sim, eu sei, o artigo de hoje fugiu bastante à linha de assuntos discutidos aqui ultimamente, mas quando li o artigo sobre workaholics e worklovers, considerei importante apontar como corrigir falhas em seu comportamento caso esteja se tornando um “workaholic”, pois em minha opinião em nada adianta ganhar muito dinheiro e prejudicar sua vida familiar.

Caramba, já está tarde, são 01:25 e eu estou aqui, escrevendo… Eu trabalho demais? E você, amigo leitor, também acha que está trabalhando demais? Que medidas toma para trabalhar menos e produzir mais? Comente!

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