Gastar, poupar ou investir? Conhecendo melhor o universo do dinheiro

Dando continuidade ao nosso curso de Educação Financeira, aqui vamos para a segunda lição: fazer a distinção entre gastar, poupar e investir a fim de melhor conhecermos como funciona o dinheiro em nosso mundo.

Acredito que nossos leitores mais fiéis já devem ter percebido que o título desde artigo se assemelha muito a um outro artigo nosso, o Gastar, poupar ou investir? Uma introdução ao mundo dos investimentos e podemos dizer que a semelhança foi proposital, a fim de já deixar claro pelo próprio título deste artigo a importância de investir e saber controlar os gastos (duas coisas muito importantes para quem está querendo investir) também aqui, quando se fala em Educação Financeira.

Desta forma, já deixo aqui a todos aquele artigo supracitado como recomendação de leitura logo após este artigo, ok?

Vamos supor que você receba uma quantia considerável repentinamente (se você é um adolescente e não trabalha ainda, poderia considerar o valor de R$ 200,00 aqui, se você já trabalha e possui família, poderia considerar um valor igual ao seu salário), o que você faz com esse dinheiro?

Basicamente, há três coisas que podemos fazer com aquele dinheiro: gastá-lo, economizá-lo (aqui estaremos chamando de poupar) ou investi-lo. E agora, quais as vantagens e desvantagens de cada uma dessas opções?

Ok, eu quero somente gastar esse dinheiro!

Muitas vezes quando temos algum “dinheiro sobrando” (e muitas outras vezes até mesmo sem ter dinheiro sobrando…) optamos por simplesmente gastá-lo.

Ao gastar aquele dinheiro, usamos o mesmo para suprir nossas necessidades básicas ou outras mais superficiais – nossos sonhos de consumo. Quem não gostaria de poder comprar um iate e passear com ele em um grande lago em uma cidade famosa?

Não há nada demais em ter grandes sonhos de consumo ou de querer adquiri-los, o problema está quando não nos planejamos para tal e simplesmente o fazemos porque queremos. Quer ver um exemplo?

Vamos levar em consideração um casal sem filhos que após pagar todas as contas do mês sempre lhes sobram R$ 400,00. Eles têm como sonho a aquisição de um carro e o dinheiro está sobrando… Por que não comprar um?

O carro custa R$ 6.000,00 (estamos escolhendo um modelo beeem barato a fim de facilitar os cálculos, ok?) e eles o financiam, pagando R$ 400,00 por mês durante 25 meses (perfazendo assim um total de R$ 10.000,00). Perceba de antemão que se eles esperassem 15 meses teriam todo o dinheiro para pagar o valor do carro e não precisariam financiar, desembolsando assim R$ 4.000,00 a mais, mas continuando a nossa história…

Após 6 meses pagando o financiamento (já desembolsaram R$ 2.400,00), a mulher engravida. Não estava nos planos, mas mesmo assim a notícia é recebida com grande alegria por todos. Aos 9 meses de gravidez (e 15 de financiamento, quando eles já desembolsaram quantia igual ao valor do carro), o bebê nasce.

Para quem não tem um filho é difícil ter a exata noção de quanto se pode gastar na criação de um (eu sei, porque eu tenho um filho de quase dois anos! 😀 ) e como não há reserva financeira, a família a essa altura já contraiu alguma dívida adquirindo todas as coisas para o bebê. Mas não é só antes dele nascer que há gastos, a partir de agora teremos gastos com plano de saúde, remédios, alimentação e várias outras coisas!

Provavelmente não poderão mais manter o carro e como as contas vão avançando, precisarão vendê-lo. Conseguirão de volta um valor de R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00, amargando assim algum prejuízo e muitas dores de cabeça que terão até conseguir efetuar a venda do automóvel.

E se eu escolhesse poupar?

Bem, se você escolhe economizar o seu dinheiro, poupá-lo para que possa melhor empregá-lo mais tarde, você poderá fazer inúmeras coisas, veja só:

  • Efetuar compras à vista e assim evitar juros. Se o casal de nossa história tivesse economizado o dinheiro até o dia em que o bebê nasceu, eles teriam o valor para comprar o carro à vista e não teriam comprometido os R$ 400,00 que lhes sobram todo mês com o financiamento, podendo assim utilizar esse dinheiro com a criança (se bem que, hoje em dia, a partir de seis meses a um ano R$ 400,00 não paga todas as contas do baby!);
  • Manter uma reserva financeira. Nada melhor do que ter uma reserva financeira para pagar por algo imprevisto (como as coisas que aquela família precisou comprar para o bebê antes de seu nascimento), evitando assim acumular dívidas;
  • Proteger o mesmo contra a desvalorização ou até mesmo ganhar algum dinheiro. Como você sabe, a inflação está sempre por aí, mesmo que baixa, ela está sempre influenciando o preço de tudo. O que você compra com mil reais hoje pode custar não somente mil reais amanhã. Entretanto, se você guardar aqueles mil reais em uma caderneta de poupança, que garante algum rendimento mensal, se esse rendimento for acima da taxa de inflação você não somente estará protegendo o seu dinheiro contra a desvalorização como poderá ainda aumentar o seu poder aquisitivo.

Poderíamos citar algumas outras vantagens de manter seu dinheiro em uma poupança até o momento certo de usá-lo em suas compras, mas acredito que todos já conseguiram “capturar” a ideia, não é mesmo?

Mas eis que após perceber os benefícios que podemos conseguir economizando alguém decide ir um pouco mais além e me diz…

Eu escolho investir!

Em primeiro lugar, é necessário que definamos corretamente a palavra investir.

Um investimento é o ato de empregar algum capital em algum tipo de atividade (pode ser um investimento bancário, investimento em alguma empresa ou aquisição de equipamentos e treinamento para melhorar a sua produtividade em seu ambiente de trabalho) esperando conquistar algum tipo de retorno (geralmente em dinheiro também).

Perceba então que não está investindo somente aquele que vai a um banco e aplica uma gorda quantia em dinheiro em ações e fundos de investimento. Você pode estar investindo ao começar o seu pequeno negócio com aquele dinheiro que sobrou do salário ou aquela bonificação inesperada que você recebeu!

Quando falamos de investimentos, já falamos sobre inúmeras outras coisas que não precisamos falar até agora. Falamos em índices de mercado, juros, taxas de corretagem, de custódia ou de administração, liquidez, risco, instabilidade de mercado, enfim, são tantos os novos conceitos a serem aprendidos que apesar de parecer esta a melhor opção para já se começar eu aconselho que faça as coisas com cautela. Investir sem ter conhecimentos sobre o tipo de investimento em que está se aplicando é correr riscos desnecessários que podem levá-lo a perder seu dinheiro em vez de ganhar mais!

Já comentei aqui outro dia a respeito de um blogger que comentou perder todo o dinheiro (cerca de R$ 300,00) que aplicou em Forex Trading, por exemplo. Isso não quer dizer que todo mundo que investe em forex somente perde dinheiro, mas com certeza este não era o investimento certo para ele.

Investir é bom e pode lhe dar dinheiro. O quanto você poderá ganhar e quanto tempo precisará manter aquele dinheiro aplicado só pode ser determinado pelo seu conhecimento no tipo de investimento em que está aplicando o mesmo.

Então gastar é sempre a pior opção?

Não. Se estamos em uma época de crise, por exemplo, e a inflação está mais alta que a rentabilidade da caderneta de poupança e você está poupando para adquirir um carro, talvez seja melhor comprar o carro à vista agora do que esperar alguns meses tentando ganhar algum dinheiro com ele, já que a inflação na verdade “comerá” parte de seu poder aquisitivo.

Da mesma forma, pode-se gastar de forma sábia. Por exemplo, em períodos de dólar baixo, eu posso aproveitar para fazer todos os pagamentos que precisam e que são cotados baseados em dólar, como o pagamento de domínios e hospedagem, bem como a compra de certos livros que geralmente opto por comprar em sites estrangeiros (leia-se aqui Amazon e Ebay).

Você não precisa parar de gastar completamente ou aplicar tudo o que possui em investimentos. O que você precisa é entender como funciona cada uma dessas três coisas para que possa determinar quando é a melhor hora de usufruir de cada uma delas.

Exercício

Chegou a hora de mais um exercício, pessoal! E hoje estabeleceremos algo que nos ajudará a querer aprender mais e mais não somente hoje, amanhã ou nos próximos quinze dias. Será algo que nos levará a um aprendizado pela vida inteira. 🙂

Escolha algo que você queira muito ter. Pode ser um apartamento, um carro ou um tipo de negócio (uma livraria, por exemplo).

Depois de escolher o que deseja ter, quero que descreva em uma folha de papel óficio (isso mesmo, não pode ser uma folha de caderno surrada qualquer não!) o item que deseja adquirir: custo para aquisição e custo mensal para manutenção. Se possível, descreva bem detalhado cada um desses custos, dizendo em que será gasto e por quê.

Agora, quero que você faça uma projeção: com o que lhe sobra hoje de dinheiro, qual a melhor forma de alcançar tal item? Se você optar por um financiamento, quanto precisará pagar no total e quanto pagará mensalmente, vale a pena? E se você optar por abrir uma caderneta de poupança, quanto tempo precisaria poupar seu dinheiro e quanto mensalmente a fim de alcançar o valor à vista necessário?

Quanto mais contas você fizer no papel, menos erros poderá cometer mais tarde por falta de conhecimento, uma vez que você terá planejado a sua aquisição – e é atrás disso que iremos, aprender como adquirir aquele item que você escolheu.

Se possível, eu aconselharia a escolher primeiro não o carro ou o apartamento (este último é interessante, talvez no caso de estar pagando aluguel, mas não posso ter certeza sem pôr todas as contas no papel, ok?), mas sim um modelo de negócio, pois isso poderá ajudá-lo a ganhar mais dinheiro, a ter maior independência financeira e o ajudará a conquistar várias outras coisas ainda mais rapidamente.

E então, amigo leitor, já se decidiu? É hora de gastar, poupar ou investir? 😉

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Educação Financeira]

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • LinkedIn
  • StumbleUpon
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Quer receber nossos artigos em seu e-mail e "de quebra" baixar nossos e-books "Manual do Investidor" e "Como Ficar Rico - dicas, dúvidas e comentários"?

E-mail:

One comment

  1. Gabriel says:

    Ótimo artigo e o curso também está muito legal.

    Estou aguardando pelos próximos artigos do curso…

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Email
Print