Paradoxo da “reportagem publicitária”

Eis que você lê uma ótima matéria indicando-lhe determinado tipo de investimento financeiro e aí sai correndo para fazer uma aplicação… Será que investir todo aquele dinheiro suado que você economizou ao longo de meses em uma “ideia” que você leu em um website ou até mesmo em um grande jornal será a sua grande oportunidade? Não acha que é melhor fazer uma análise mais aprofundada, jogar os dados em uma planilha, comparar valores e aí sim tomar uma decisão?

“Caramba Christiano, mas isso vai dar trabalho”. Sim, vai. Mas você não quer que seu dinheiro renda o melhor que puder e esteja realmente disponível quando você precisar dele? Sendo assim, não caia nas histórias de falsas reportagens, que dizem estar anunciando o melhor para os seus leitores e por diversas vezes nem sabe do que está falando.

Quer ver só um exemplo? Decidi dar uma olhada em matérias recentes a respeito do mercado de carros novos e usados e deparei-me com uma situação no mínimo inusitada: enquanto uma reportagem aponta que Vendas de carros usados caem 20,49% em janeiro, outra reportagem diz que A venda de carros usados está em alta, a partir de dados de 2016. Percebe que uma matéria indica queda (baseada nos dados do último mês) enquanto a outra aponta alta (baseada nos dados do último ano). Nenhuma das duas mente, afinal de contas, as estatísticas estão lá, mas é óbvio que como se trata de uma informação bastante sensível ao tempo a primeira está sendo mais fidedigna para quem está buscando comprar ou vender seu carro do que a segunda.

Duas matérias, duas opiniões, mas se você está pensando em vender um carro usado é bem provável que já saiba qual realmente lhe importa. De forma similar, quando decidir em que aplicar aquele dinheirinho que você ralou tanto tempo economizando, não se baseie na primeira matéria que encontrar – e leve em consideração a data de publicação da mesma, afinal de contas, quando o assunto é investir dinheiro o tempo sempre representa uma variável muito importante! #FicaDica

Obs: Ah, o paradoxo que apontei no título está no fato de que reportagem deveria informar e não ter o propósito primordial de servir como publicidade, algo que muitas vezes acontece e acaba por levar o leitor a tomar decisões ruins mesmo se considerando “bem informado”.

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