Planejamento financeiro: por que você está investindo?

E aqui está a quarta parte de nosso minicurso Manual do Investidor, onde discutimos vários assuntos importantes para quem está iniciando no mundo dos investimentos. E desta vez queremos colocar em foco a importância do planejamento financeiro para quem quer investir.

Há muitas fontes falando sobre Planejamento Financeiro e sobre Investimentos, mas acredito que poucas são aquelas que fazem uma boa ligação entre os dois temas a fim de demonstrar como o primeiro pode ajudar quem está interessado no segundo.

Como este curso é focado em quem está iniciando neste meio, faz-se muita importância apontar como o bom planejamento pode ajudá-lo a precaver-se de problemas causados por ações impensadas.

Bem, vamos então começar…

O que é planejamento financeiro?

Planejar é a arte de projetar e documentar antecipadamente todos os passos, recursos e tempo necessários para alcançar algum objetivo. Isso todo mundo deve saber, ou ao menos intuir.

Sendo assim, quando falamos de planejamento financeiro, estamos nos referindo à elaboração de um projeto para a boa gestão de diversos fatores que influenciam o seu perfil financeiro, como a sua renda, seus investimentos, despesas, patrimônio e dívidas. Essa boa gestão visa alcançar metas ligadas ao campo financeiro, como a realização de sonhos como a aquisição da casa própria, realização de viagens, empregar capital em uma melhor educação para si próprio e sua família, etc.

O planejamento financeiro torna-se importante como uma ferramenta não somente para controlar gastos, mas para mensurar seu progresso em direção às metas declaradas, bem como ferramenta para a tomada de decisão quando há mudanças no cenário financeiro (nascimento de um filho, adoecimento de um parente, demissão inesperada, etc) a fim de que se possa pensar bem qual a atual situação, quais as opções e consequências para cada uma delas.

Pode-se aplicar o planejamento financeiro tanto a nível pessoal (como indivíduo), doméstico ou familiar (envolvendo toda a família) ou empresarial (envolvendo todos os membros de uma organização). Para cada tipo de planejamento financeiro, deve-se traçar sempre quais as metas a serem alcançadas, meios a serem utilizados e obstáculos a serem vencidos.

Agora você já deve ter compreendido o porquê da pergunta “Por que estou investindo?” no título deste artigo – se nós precisamos saber quais as metas para o nosso planejamento, então precisamos saber por que queremos/precisamos desse dinheiro.

Descubra o que você quer conseguir com seus investimentos – alcançar a independência financeira, adquirir sua residência própria, comprar um carro novo, complementar a sua aposentadoria – e você poderá pensar melhor no que deverá fazer para alcançar tal objetivo.

Planejamento financeiro é mais do que um “controle de entradas e saídas”

Um erro que muitas pessoas fazem é considerar que o planejamento financeiro trata-se de elaborar um “controle de entradas e saídas”. Acreditam nisso porque é bem mais simples somente “anotar” o quanto ganhou e o quanto gastou do que tecer um plano que leve em consideração não somente esses valores, mas também a situação vivida pela pessoa e quais são suas metas.

Se você planeja adquirir um carro no valor de R$ 30.000,00 em três anos mas não possui tal dinheiro, deve planejar-se visando isso. Há de convir que o planejamento que uma pessoa tece a fim de adquirir um carro em três anos sem precisar de investimento é diferente daquele de uma pessoa que visa dar metade do valor como entrada e pagar prestações por dois anos, não concorda?

Sendo assim, algumas das coisas que o seu planejamento financeiro deve levar em consideração são:

  • Sua situação financeira atual – está empregado? Possui alguma fonte de renda? Possui investimentos? Quais os seus tipos de investimento? Quais os riscos envolvidos?
  • Patrimônio adquirido e dívidas contraídas – isso lhe dará uma noção do que você já possui a fim de saber quais os obstáculos (dívidas) a enfrentar e meios (patrimônios que podem render-lhe algum dinheiro) que podem ser empregados;
  • Metas e prazos para alcançar as mesmas – como já dissemos, você precisa saber quais as metas para ter alguma direção e os prazos poderão dizer-lhe quão bem você está indo em busca de realizar suas metas;
  • O orçamento – ou “controle de entradas e saídas”, como muitas vezes é conhecido, por levar em consideração o quanto se ganha e o quanto se gasta, não importa se estamos falando de uma pessoa, residência (onde mais se empresa o termo orçamento doméstico) ou empresa (aqui, também é conhecido como “plano de fluxo de caixa”). Um bom orçamento ou plano de fluxo de caixa ajuda não somente a determinar quanto se está economizando ou ganhando, mas também ajuda a prever possíveis problemas que se pode ter devido à contração de novas dívidas que estejam além do que se ganha dentro de um determinado período de tempo.

Por que planejar é importante para o investidor?

Se você cria um bom planejamento que leve em consideração também os investimentos e rendas obtidos por eles, você pode avaliar melhor como investir a fim de manter ou melhorar sua atual situação financeira, levando em consideração não somente “achismos” e suposições, mas dados reais, a partir de uma análise da valores obtidos em um dado período.

Se você quer investir, acredito que você, assim como eu, quer ganhar dinheiro com isso, arriscando-se somente o necessário e sem prejudicar seus demais ojetivos e metas (um mal investimento, quando não previsto em planejamento, pode levar a alguns problemas e dores de cabeça, até que se consiga uma solução para estabilizar novamente a situação).

Sendo assim, tentar simplesmente “investir tudo o que tem” sem imaginar qual o impacto positivo ou negativo que isso pode ter pode não ser uma excelente escolha, mas se você planejou e preparou-se para tal atitude, talvez tenha tentado prever tais panoramas bem como as ações a serem tomadas em cada uma delas. Um planejamento financeiro deve auxiliá-lo na tarefa de administrar rendas, gastos e investimentos, como já comentamos anteriormente, então planejar deve levar você a uma melhor gestão de seus investimentos!

Ferramentas para o planejamento financeiro

Se você procurar na Internet, encontrará diversas planilhas e ferramentas muito úteis para o controle de orçamento, mas como já mencionamos, somente o controle de orçamento não é todo o planejamento financeiro.

Como não encontrei alguma ferramenta gratuita boa o suficiente para todo o planejamento financeiro, optei por desenvolver uma planilha que pode ser empregada por qualquer pessoa (espero que ela seja de fácil compreensão para todos 🙂 ) que leva em consideração um pouco mais do que somente o orçamento da pessoa.

Ela lhe permite informar o quanto está investindo ou poupando sob quais juros e ter uma noção melhor de quanto poderá conseguir. Além disso, por meio de alguns cálculos (bastante simples por enquanto, mas espero melhorar os mesmos em futuras versões) automatizados pela planilha é possível saber se está conseguindo reduzir custos de forma eficiente, comparar com meses anteriores, etc.

Se você está interessado em adquiri-la, não se preocupe, ela é gratuita. 🙂 Basta que você acesse o Giga Mundo (meu outro blog) ou, mais especificamente, que acesse o artigo Planejamento Financeiro 2009, onde há um link para baixar a planilha. Ah, e leia aquele artigo, pois ele foi criado justamente para explicar toda aquela planilha, um “mini-manual” para que você possa utilizá-la ao máximo, sem dúvidas quanto ao que significa cada coisa.

Não vou ter a ousadia de dizer que é a melhor planilha para planejamento financeiro, pois há várias delas pela Internet e com certeza não conheço todas, mas daquelas que vi, acho que ainda prefiro a minha. 😀

Bem, e para encerrar este nosso artigo, que tal citarmos as principais “mentiras” que se ouve por aí acerca de planejamento financeiro?

Principais equívocos sobre o planejamento financeiro

  • Planejamento financeiro só é útil em períodos de crise – Mentira! Este é um dos maiores erros que se pode cometer. Como planejar e atuar de forma adequada se seus recursos já estiverem bastante limitados? Planejamento financeiro é um meio para quem está com problemas financeiros para definir o melhor meio para livrar-se deles, mas pessoas que não se encontram com problemas podem se utilizar do mesmo a fim de conseguir uma melhor estabilidade, melhorar a rentabilidade conquistada, mensurar seu progresso financeiro, etc;
  • É possível planejar sem traçar metas – Mais uma mentira. Se você não possui metas, como saber qual o seu progresso ou se o planejamento está sendo eficaz? Um planejamento sem metas é somente um “acompanhamento de um orçamento”, mas não diz nada além disso;
  • Planejamento financeiro é algo que se faz uma única vez e pronto – Não é tão simples assim. Com o passar do tempo, sua situação muda, de acordo ou não com o que você esperava, suas metas mudam, números variam, bem como ferramentas que podem ser empregadas. Sendo assim, você deve revisar ou mesmo reelaborar completamente seu planejamento financeiro periodicamente a fim de mantê-lo sempre conciso e coerente;
  • Planejamento financeiro é somente para quem tem muito dinheiro – Errado! Alguma vez mencionamos aqui que o planejamento financeiro só é adequado para pessoas com patrimônio líquido acima de R$ 200.000,00 ou com renda líquida mensal de R$ 4.000,00 ? O planejamento financeiro lidará com números, mas quem define quais são os valores é você, você é quem deve definir as metas e informar quais são seus dados. O planejamento financeiro é útil para qualquer pessoa e independe de quanto ela ganha;
  • Traçar metas intangíveis – Se você quer conquistar seu primeiro milhão de reais em um um ano e está ganhando somente R$ 1.000,00 por mês, sinto muito, mas planejamento financeiro não é loteria nem “santo miraculoso” para conseguir tal façanha. Trace metas com prazos e recursos tangíveis. Se não for possível alcançar tal meta, não é porque você criou um plano que você conseguirá alcançá-la: um planejamento ajuda na gestão, mas não opera milagres!

Exercícios

Tenho certeza de que, após tanta teoria, você já estava louco de vontade de saber o que você teria como atividade desta vez, não é? Pois bem, vamos lá!

Desta vez o nosso enfoque é sobre o planejamento financeiro e com certeza nada melhor do que a prática para que compreendamos como funciona tal processo, sendo assim, baixe a planilha e leia o artigo que indiquei e comece a preenchê-la (aproveitando que ainda estamos no início do ano, tente informar os valores também para o mês de janeiro, ok? ).

Mesmo que você só precise atualizá-la uma vez ao mês, revise-a ao menos semanalmente, lendo seus valores analisando seus gráficos e, sempre, fazendo-se a pergunta: o que eu posso fazer para ganhar mais dinheiro? De quais recursos disponho e como conseguir mais recursos?

A revisão semanal é importante para que você crie realmente o hábito de acessar e atualizar sua planilha bem como para aprender mais sobre como tirar o máximo de proveito da mesma.

Sendo assim, trace uma meta tangível num período não muito longo (por exemplo, ter em caderneta de poupança o valor de R$ 3.000,00 ou atingir uma redução de 25% em seus gastos mensais), projete seus dados e tente descobrir quanto tempo você precisa para alcançar sua meta.

Após isso, claro, você deverá acompanhar mês a mês sua evolução, atualizando seu planejamento financeiro e tentando ver o quão preciso você foi sem sua previsão. Isso o ajudará a melhor prever prazos e definir recursos quando tentar buscar atingir metas maiores (aquisição de um imóvel, alcançar a independência financeira ou conseguir o seu primeiro milhão de reais).

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o minicurso Manual do Investidor]

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