Pobres x ricos ou… mentalidades pobres x mentalidades ricas?

Olá a todos os amigos e leitores do Clube do Dinheiro! Estamos de volta com mais um artigo (e espero que não seja o último deste ano), desta vez respondendo ao comentário de uma de nossas leitoras, a Gabriele, que deixou um comentário em nosso artigo A mentalidade rica x a mentalidade pobre.

Ela escreveu um extenso e (bem argumentado) comentário contrário ao que é exposto em nosso artigo, entretanto, como perceberemos ao longo deste artigo, o equívoco ocorreu pois ela entendeu que o artigo estava a comparar pessoas ricas e pessoas pobres, em vez de comparar pessoas com mentalidade rica e pessoas com mentalidade pobre, que é o real objetivo daquele artigo.

Bem, para ficar mais claro isso, responderei ao seu comentário (os trechos em negrito são partes de seu comentário)…

Desculpa-me mas acho que o artigo simplifica e banaliza demais. Você diz: “pessoas pobres buscam a companhia de pessoas fracassadas…” só para fazer um exemplo. Todas as pessoas pobres se comportam assim? Tem certeza? Você conhece todas?

Sim, tenho certeza e não, não conheço todas, pois não é necessário. Como disse, não estou me referindo às pessoas pobres, refiro-me às pessoas com mentalidade pobre. Há pessoas pobres com mentalidade rica – geralmente são aquelas que enriquecem na vida, com o seu próprio suor – e há pessoas ricas com mentalidade pobre – geralmente são aquelas que nascem em famílias ricas, porém não conseguem administrar corretamente os bens e acabam por perder parte ou todo o seu patrimônio.

Acredito que toda essa confusão ocorreu porque, ao ler o artigo, você não percebeu que as expressões “pessoa pobre” e “pessoa rica” referia-se à mentalidade daquelas pessoas e não às suas condições financeiras. Aqui está o trecho em que comento isso: “Mas para encurtar as frases, usarei o termo pessoa pobre/rica como um sinônimo de pessoa de mentalidade pobre/rica e não como uma alusão à sua atual condição financeira, ok?”

Sendo assim, quando falamos sobre pessoa pobre não me importa se a pessoa possui dinheiro ou não. Estou falando sobre os hábitos e vícios de pessoas que não sabem conduzir bem a sua vida financeira, geralmente levando-a a problemas financeiros.

E infelizmente é verdade, quem tem uma mentalidade pobre raramente gosta da companhia de uma pessoa com mentalidade rica e vice-versa, pois geralmente quem tem mentalidade pobre não está procurando corrigir-se, caso contrário estaria dando o primeiro passo para mudar sua mentalidade, não é?

E o que acontece quando várias pessoas com mesmo tipo de mentalidade se reúnem? Elas se sentem bem, pois compartilham das mesmas ideias, mas isso não significa que progredirão corretamente na vida. É como uma grande corrida onde vários pilotos estão correndo no sentido oposto. O fato de estarem todos juntos não significa que alcançarão o objetivo, afinal de contas, estão correndo no sentido oposto!

Outra: “pessoas ricas buscam a companhia de pessoas bem sucedidas”. Na hipótese de que isso for verdade, então, daí nem adianta um pobre buscar a companhia de um rico pois é lógico que ficaria rejeitado, excluído e sem outra chance a não ser a de se aproximar a outros pobres (com os quais falar das próprias frustrações, como você diz), ato que, portanto, nem seria fruto de uma escolha errada, como você criticou, e sim representaria uma escolha obrigada.

Errado. Lembre-se do que eu falei, não estamos discutindo a situação financeira, estamos discutindo sobre os aspectos psicológicos, aquilo que move as pessoas. Pessoas com mentalidade rica gostam de estar em companhia de pessoas com mentalidade rica, não importa se as primeiras são ricas financeiramente e as últimas pobres. Duas pessoas com mentalidade rica, quando conversam sobre suas visões e interesses, acabam por contribuir uma com a outra por meio da troca de informações e experiências.

Suponhamos um milionário que, mesmo tendo bastante capital, não possui condições de abrir uma empresa desenvolvedora de jogos (o seu grande sonho), pois não sabe bem quais tipos de profissionais são importantes nas primeiras etapas desse tipo de empresa. Eis que uma pessoa com experiência, que já tenha trabalhado em uma empresa desenvolvedora de jogos, pode ser-lhe bastante útil em diversas etapas, não somente quanto à produção, mas quanto ao marketing e monetização de todo o jogo. Não importa se este último é um milionário ou um desempregado, sua experiência é bem interessante para o milionário dessa história. Por sua vez, digamos que o milionário adora investimentos em ações e o nosso amigo desenvolvedor precise de algumas opiniões sobre possíveis carteiras de investimentos. É bem provável que eles possam trocar muitas experiências e, assim, ajudarem um ao outro a crescerem, não?

Concordo com o fato de que ser pobre não traz atestado de bondade, claro ( do outro lado nem ser rico acho que é atestado de bondade ou é !? Seja claro que nem quero dizer que ser rico seja atestado de qualidades negativas).

Concordo. Basta ligar a TV e vamos ouvir histórias de ricos e pobres matando ou roubando, bem como histórias de ricos e pobres fazendo doações e ajudando a erguer novas ONGs. Situação financeira e solidariedade e ética são duas coisas distintas!

Só que ser pobre, de acordo com o que você diz, traz atestado de inveja, parece, e de outras qualidades negativas, sim. Essa é uma forma sutil, mas nem tanto, de reforçar formas de racismo quais o racismo social e econômico bastante comuns, que se traduzem no preconceito contra os pobres, a serem considerados pessoas que são pobres somente porque merecem ficar naquela condição e nunca, nunca, nunca por falta de opções e de oportunidade.

Outra vez, estamos caindo no problema da má interpretação. Longe de mim querer dizer que todo pobre é invejoso ou que todo rico é santo. Como já disse, condição financeira é uma coisa, solidariedade e ética são outras. E com certeza não quero “alimentar” ainda mais o racismo sócio-econômico, tão comum em muitos lugares (e não me refiro somente ao Brasil).

Entretanto, pessoas com mentalidade pobre (preste atenção, mentalidade! Isto é, um conjunto de concepções e assunções que não ajudam a pessoa a crescer) geralmente caem no problema da inveja, sim. Pare para pensar, você não conhece ninguém que sempre comenta sobre como os outros são “sortudos” (sempre esquecem o tanto que aquelas pessoas trabalharam para estarem onde estão!) e que se sentem azarados, reclamando que a vida nunca lhes oferecem oportunidades, mas na verdade nunca tentam mudar sua situação? Pois bem, se conhece, você já sabe bem o que é uma pessoa com mentalidade pobre – e se possível fique bem longe dela, exceto se for um de seus pais ou marido/esposa, nesse caso, o melhor mesmo é benzer-se bem, segurar um crucifixo e rezar para não ser contagioso.

Só para ilustrar mais um pouco… Em um dos meus artigos, Quando e por que eu decidi ganhar dinheiro, eu comentei a respeito do meu pai, que se aposentou como auxiliar de segurança interna… Mas esqueci de comentar sobre a vida de meu avô!

Meus avós paternos tiveram boa parte de suas vidas no campo, “na roça” mesmo, como o pessoal diz por aí, e viviam em Laranjeiras, uma cidade do interior de Sergipe. Buscando oportunidades melhores para os seus filhos, decidiram morar na capital Aracaju, onde eles poderiam estudar.

Meu avô, apesar de sua pouca instrução, era (infelizmente ele já faleceu) muito bom em cálculos e aos poucos foi economizando e comprando um terreno, construindo, depois outro e assim foi crescendo financeiramente. Conto essa história para os que ainda possuam alguma dúvida quanto à minha origem humilde ou que, por algum motivo, acredite que alimento preconceitos contra pobres. O que não gosto é de pessoas com mentalidade pobre, que não buscam crescer na vida e reclamam dizendo que não há oportunidades para elas. Meu avô é um grande exemplo de que podemos construir nossas próprias oportunidades!

Você tira totalmente o foco do fato que ganhar um salário mínimo no Brasil não dá muitas oportunidades, como situação de partida, a uma pessoa, para ela poder subir na vida.

Tem razão, o salário mínimo é realmente baixo e reduz em muito as oportunidades. Mas é justamente por serem poucas as oportunidades que as pessoas devem lutar ainda mais para conseguir mudar suas vidas. Não acredita não? Quer que eu conte a história do meu avô de novo? 🙂

Sim, eu sei, o senhor do exemplo que você fez que passou concurso público para fazer limpeza e investiu, junto com a mulher dele, na educação da filha e talvez, quem sabe ( nem você sabe da história deles hoje) obteve um bom retorno para filha e para eles mesmos. E daí? Isso seria uma prova, um certificado de que se uma pessoa pobre não ficar rica é por preguiça, má vontade, etc? Porque ela não quer de verdade? Ou por que não acerta no investimento do próprio dinheiro?

Não, com certeza não sei ao certo como eles estão hoje. Mas conheço uma outra história que terei o prazer em lhe contar…

Durante a minha infância, vi várias vezes um garoto passar pela minha casa, sempre no mesmo horário, e minha mãe sempre lhe dava um pacote de biscoitos, uma fruta ou outra coisa. Na época, isso para mim era uma esmola como outra qualquer – e talvez para a minha mãe também. Passou muito tempo assim e, um dia, não o vi mais.

Anos mais tarde, esse garoto, que já não era mas criança e sim um jovem de 19 anos ou mais, foi até a minha casa agradecer à minha mãe. Ele comentou que na infância sua mãe o enviava para a escola sem lanche algum (às vezes, até sem o café da manhã), dizia que não tinha e, que se ele quisesse, que pedisse por aí (infelizmente, ainda há pais que fazem isso… 🙁 ). Ele sentia muita vergonha nisso e minha mãe, percebendo, disse-lhe que sempre fosse lá que ela lhe daria algum lanche para levar.

Esse menino cresceu assim, um pouco com vergonha daquela situação, mas feliz por ao menos não precisar sujeitar-se a ir a outras casas, onde poderia ser xingado, humilhado ou, na melhor hipótese, receber um “não” e ir para a escola de barriga vazia. Mas isso não resolvia tudo, ele tinha que mudar isso – e por isso entregou-se completamente aos estudos.

Quando ele foi lá já adulto, foi para agradecer à minha mãe e dizer que graças àquilo ele conseguiu coragem para estudar de verdade. Agora estava graduado e havia passado em um bom concurso em outro estado e agora estava indo morar lá, mas que não poderia ir embora sem voltar lá e agradecer à minha mãe por tudo.

Eu acho que ele tinha todos os motivos para reclamar e não buscar crescimento pessoal, educacional e profissional. Mas ele buscou. Havia tudo indicando que era uma jornada perdida. Mas ele conseguiu. Preciso falar ainda o quanto é importante persistir e jamais desistir de seu objetivo?

Sendo que a matemática não é uma opinião, está convidado a considerar o valor de um salário mínimo brasileiro, considere também o custo de um normal aluguel, somado ao de um plano de saúde e, esquecia, dos alimentos. Considere agora também, importante, o custo da mensalidade de uma escola particular de onde um aluno possa sair alfabetizado de uma maneira decente. Considerados todos estes valores, faça as contas.

Façamos melhor: consideremos o custo de não ter nada em sua vida e precisar “pedir esmola” caso queira ter um lanche, segundo palavras de sua própria mãe. Pode ter certeza que o “custo” disso supera qualquer outro custo que você queira considerar, ou você não concorda comigo?

Agora, você tem todo direito de promover um curso de educação financeira. Isso é bom. Não acho preciso e, acima de tudo, não acho certo e ético, para você fazer isso, querer simplificar e distorcer a realidade. Obrigada.

Como disso, o que houve aqui foi um equívoco. Você acabou considerando que quando eu falava de “pessoas pobres” referia-me ao poder aquisitivo delas e não, refiro-me às suas mentalidades e como estas podem levá-las a grandes problemas, justamente porque não as encaminham para um verdadeiro desenvolvimento pessoal, educacional, profissional e financeiro.

E não preciso simplificar ou distorcer a realidade: a realidade é simples, nós é que gostamos de tornar tudo difícil. E não preciso distorcer nada, o mundo já é distorcido demais. Outro dia li uma reportagem de uma mulher que matou um cãozinho, seu próprio animal de estimação, de forma cruel. Ouvi também sobre o julgamento da mulher que matou o marido que havia ganhado na Mega Sena a fim de livrar-se dele e ficar com tudo. E ouvi também sobre emissoras de TV que não pagam salários de seus empregados, mas também não dão boas explicações do porquê não estarem a pagar… Será que preciso distorcer algo?

Espero que tenha compreendido melhor e, tenho certeza de que se refletir profundamente, compreenderá que cada artigo meu é um convite para que cada um mude um pouco sua forma de pensar.

Bem, encerro o artigo de hoje com uma frase que, não sei bem de quem é, mas que eu adoro: Loucura é buscar resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas. E é disso que estamos falando aqui, não? 😉

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