Previdência Privada

Olá a todos e aqui vai mais um artigo baseado em dúvida de um de nossos leitores, sobre previdência privada. Desta vez é a dúvida de nosso amigo Oswaldo:

Olá Christiano,
Bom Dia!
Eu me cadastrei recentemente no clube do dinheiro e tenho achado os pontos bem pertinentes a nossa realidade…
Gostaria de saber se há uma análise para a questão da previdência privada…
Compensa ou não compensa fazer… deixar o dinheiro em uma renda fixa ou entrar até mesmo na renda variável é mais vantajoso?
Como trabalho em regime de CLT isso ajudaria a abater o IRPF (que hoje é 27,5%) e deixaria o dinheiro aplicado por um longo período (pelo menos 15 anos), para posteriormente só pagar 10% de IRPF.
Bom, se puder ajudar com esta dúvida agradeço!
Obrigado,
Oswaldo.

Antes de mais nada, fico feliz em conhecê-lo, Oswaldo. É sempre bom conhecer nossos visitantes – como não sabemos quem lê ou não nossos artigos, temos às vezes a impressão de que somos “loucos escrevendo para um grande imenso vazio”. Fico feliz de saber que ainda mantenho um pouco de sanidade. 🙂

Falando em previdência privada…

Quanto ao tema, assustei-me ao perceber que ainda não escrevi nada acerca da previdência privada – eu estava certo de que já o tinha feito! Então não vamos mais perder tempo e falar sobre o assunto com a profundidade necessária, ok?

Em linhas gerais, sim, compensa, mas depende de como você quer tratar a previdência privada e de qual tipo de previdência privada você adota, como talvez já saiba, há basicamente dois tipos: PGBL (que é utilizada por aqueles que são tributados na fonte, como é o caso de quem está no regime CLT e pode deduzir do imposto de renda) e a VGBL (pode também ser utilizada pelo primeiro grupo e é a preferida de quem é autônomo, não é tributado ou faz a declaração simplificada).

PGBL? VGBL? O que é isso?

Eu, por exemplo, não estou no momento no regime CLT, o que já me impede de ter um PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). Até alguns meses atrás não tinha nenhuma previdência privada, mas decidi que já estava na hora de planejar um investimento a longo prazo (perceba que não falei a palavra aposentadoria), o que me fez optar por ter um VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

O VGBL não possibilita a dedução do IRPF, entretanto quando eu for resgatar pagarei IRPF somente os rendimentos, já no caso do PGBL há a possibilidade de deduzir do IRPF, mas no momento do resgate haverá incidência de IRPF sobre todo o montante, não somente sobre os rendimentos. Qual é o melhor? Depende do tempo que permanecerá o investimento, bem como do objetivo.

Poupança? Investimento? Aposentadoria?

Caso deseje transformar em aposentadoria, acredito que ambos são bons e o PGBL aparenta ser melhor para quem está no regime CLT. Já para quem não é tributado na fonte, o jeito é ir pelo VGBL – não que seja ruim, só não permitirá a dedução hoje, mas a tributação será menor no futuro.

Já se você pretende adotar o mesmo como um investimento, também pode ser uma boa opção, caso você tenha um perfil conservador ou moderado, isto é, as chances de ter um rendimento maior que o da caderneta de poupança são muito boas, o que nos leva optar por esta como um dos possíveis investimentos de “renda fixa” para longo prazo.

Agora, disse renda fixa entre aspas porque depende do tipo de previdência. Por exemplo, a previdência em que aplico é composta por renda fixa e renda variável. Tal composição possui certas vantagens  – a renda fixa reduz as chances de perda, enquanto que a renda variável “arrisca” maiores rendimentos. Claro, quanto maior a parcela de renda variável, maiores os riscos, então é necessário que o investidor esteja ciente dos riscos para não se arrepender mais tarde!

Essa ideia de combinar investimentos em renda fixa e variável e, ao longo do tempo, reduzir a fatia de renda variável e aumentar a fixa é uma boa estratégia para os perfis moderados e conservadores, mas deve ser combinada a outra regrinha bem mais básica: tempo e dinheiro. Quanto mais dinheiro você aplicar e quanto mais tempo você mantiver lá, melhor para você, pois como você sabe, a tributação decresce proporcionalmente com o tempo, até atingir a faixa de 10%.

Já se você pretende usar a previdência privada como poupança para adquirir algum bem num intervalo de tempo relativamente curto (menos de 15 anos, no caso), não será uma boa ideia. Primeiro porque há uma carência de seis meses (varia de acordo com o plano/fundo em que você invista) para que possa fazer o primeiro resgate, além de haver um tempo relativamente alto entre cada resgate (no Banco do Brasil, por exemplo, é de dois meses). Segundo porque quanto menor o tempo que o dinheiro for mantido lá, maior a tributação. Se o dinheiro não passar ao menos cinco anos, você estará pagando a maior tributação possível, conseguindo assim um rendimento inferior ao da caderneta de poupança!

E quando vira aposentadoria?

A conversão da previdência privada em renda vitalícia se dá quando vence o prazo da mesma. O investidor poderá escolher resgatar todo o valor ou converter a mesma em renda vitalícia, uma aposentadoria “a mais” que você passará a ter direito.

Bem, pessoal, esse é o funcionamento padrão da previdência privada e sua eficiência dependerá de seu objetivo: se você é um investidor bastante agressivo e quer apostar todas as suas fichas na subida de uma ação, objetivando ganhar muito dinheiro em poucas semanas ou meses, essa opção não é para você. Mas se você possui um perfil moderado ou conservador, ou mesmo se possui um perfil agressivo mas deseja manter algum investimento em renda fixa por mais de dez anos, esta poderá ser uma boa oportunidade.

E então, alguma dúvida ainda sobre previdência privada? Vamos conversar? 🙂

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One comment

  1. Paula says:

    Olá Christiano,

    Não comento sempre, comentei apenas 1 vez, mas estou lendo quase que diariamente seu blog/site.

    Você disse que fez um plano de previdência que é composto de metade em renda fixa e metade em variável e depois disse que pode alterar isso, fazer essa alteração é simples mesmo, ou eu não entendi muito bem a coisa?

    Obrigada !

    Paula

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