Quanto poupar para a aposentadoria?

Olá a todos, queridos amigos e leitores do nosso clube. Estava eu aqui, lendo alguns artigos, quando deparei-me com um tema bastante interessante. Aliás, deixe-me “começar do começo” e apresentar o artigo que me instigou a escrever este artigo…

O website Fox Business publicou um artigo chamado Is $250,000 in savings enough to retire? (em uma tradução livre, 250.000 dólares em poupança são suficientes para aposentar-se?), onde o autor discute se tal quantia seria ou não suficiente para, aplicada em algum tipo de investimento em renda fixa (como uma caderneta de poupança, título público ou CDB) complementar a previdência pública (lá, conhecida como Social Security benefits 🙂 ).

O tema é interessante e gostaria de estender também para as nossas discussões: Você está planejando sua aposentadoria? Quanto pretende poupar para a sua aposentadoria?

Claro, isso não é algo que podemos determinar facilmente, leva em consideração vários fatores, como:

  • Daqui a quantos anos pretende se aposentar?
  • Você é a única fonte de renda de sua casa, ou sua esposa também trabalha?
  • Quanto vocês ganham juntos hoje?
  • Quanto custa suas despesas mensais atualmente?
  • Quanto você precisaria receber no total mensalmente para ter uma aposentadoria decente?
  • Quanto você espera receber do INSS (ou outro, caso tenha um plano previdenciário diferente)?

Bem, a fim de termos um exemplo, vou “pincelar” alguns números aqui.

Suponhamos um casal que tenha uma renda líquida (isto é, após a dedução de todas as taxas) de R$ 2.000,00 (um valor próximo da renda média familiar brasileira, já que segundo o que vi em alguns websites ela gira em torno de R$ 1.500,00). O mesmo já possuem a casa completamente paga, a fim de facilitar o cálculo.

Vamos supor que seus gastos mensais giram em torno de R$ 1.500,00, o que significa que somente R$ 500,00 poderiam ser investidos mensalmente a fim de complementar a aposentadoria (na verdade, esse valor também será corrigido pela inflação, anualmente). Bem, vamos supor que eles estão satisfeitos com seu estilo de vida e pretendam manter a mesma despesa mensal (claro, corrigida pela inflação!) após a aposentadoria.

Neste caso, coloquei em uma planilha esses dados bem como valores hipotéticos para a inflação anual e a taxa de juros de rendimento de seus investimentos. No caso da inflação, fixei-a no valor de 6,69% a.a. (valor obtido da seção de Economia do Estadão, referente ao somatório do IPCA-15 para os últimos doze meses, até o mês de novembro de 2011).

Após 30 anos, quando o casal pretende aposentar-se, a inflação terá obrigado o salário a subir deles para R$ 13.950,26 (deve-se tomar cuidado aqui, pois caso o aumento salarial a cada ano não compensar a inflação, já viu o problema que teremos…) e suas despesas mensais serão de R$ 10.462,69 (é… inflação, amigo).

Rendimento dos investimentos em torno de 0,56% a.m.

Neste cenário (algo bem fácil de conseguir caso invistamos todo mês em caderneta de poupança), alcançaremos, após 30 anos, a quantia de R$ 1.299.089,09. É isso aí: investindo mês após mês tudo o que sobrou (salário – despesa), alcançamos a quantia de R$ 1.299.089,09.

Entretanto, tal montante, a uma taxa de 0,56% a.m. renderá somente R$ 7.274,90 (70% do valor esperado), sendo necessário, portanto, ter uma renda oriunda de previdência pública (ou outra fonte previdenciária) mínima de R$ 3.187,79 por mês a fim de complementar a mesma.

Rendimento dos investimentos em torno de 0,90% a.m.

Agora, analisemos a mesma situação com um retorno esperado sobre os investimentos maior, de 0,9% mensalmente (você pode atingir tal valor por meio de certos fundos de investimentos em renda fixa com montantes aplicados bem mais altos – em torno de R$ 100.000,00 – e combinando com investimentos em renda variável, mas aí já entrará um risco bem maior).

Bem, como agora temos um maior rendimento sobre nossos investimentos, isso significará que os mesmos irão crescer mais rapidamente (após 30 anos, já teremos acumulado R$ 2.547.300,01!) e que a renda obtida a partir dos mesmos será maior – agora, teríamos uma renda de R$ 22.925,70, mais do que duas vezes as despesas do casal (219% das despesas, para ser mais exato)!

Neste segundo caso, eles não precisariam de uma outra fonte previdenciária. Ou, uma atitude muito mais lógica, poderiam interromper ou reduzir os investimentos para o planejamento futuro após os primeiros 19 anos (quando os rendimentos dos investimentos superam as despesas mensais) e poderiam assim melhor usufruir do seu salário. Além disso, se eles contribuíram com a previdência pública, poderiam ter uma aposentadoria muito mais interessante quando o prazo fosse completado!

Conclusão

A primeira conclusão é quanto à inflação: ficou bem claro que a inflação atual está bastante alta e pode trazer muitas dores de cabeça para quem está investindo planejando um futuro melhor.

A segunda conclusão é que, tão breve quanto for possível aplicar o capital em um investimento melhor, deve-se fazê-lo. Focar toda a vida em caderneta de poupança é um verdadeiro tiro no pé. Conforme o montante cresce, procure alternativas mais interessantes. Além disso, pode-se arriscar em certos fundos de investimentos ou no mercado de ações enquanto se é mais jovem e há tempo suficiente para recuperar possíveis perdas.

A terceira conclusão é que é possível, sim, efetuar um planejamento para ter não somente uma melhor aposentadoria, mas também uma vida melhor até chegar nela – no nosso exemplo, se o casal conseguir 0,9% a.m. de rendimentos, ele pode ir começar com grandes aplicações porém terminar com aplicações bem pequenas, podendo portanto melhor usufruir de seus salários.

A quarta conclusão é que vale muito a pena ter um “plano B”, isto é, um plano de previdência privada ou investimentos focando em longo prazo a fim de complementar a previdência pública. Ela está cada vez mais frágil, então não é bom confiar somente nela.

E então, amigo, após este exemplo, conseguiu compreender como você também pode determinar quanto poupar para a sua aposentadoria? 😉

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