Saiba quando focar e quando diversificar

Focar, diversificar, focar, diversificar… No mundo dos negócios, essas duas palavras possuem significados quase antônimos – enquanto que a primeira (focar) traduz a importância de concentrar esforços naquilo que está dando certo como forma de acelerar o crescimento de algum (um investimento, um negócio, etc.), a segunda palavra (diversificar) traduz a ideia da importância de empregar esforços em mais de uma atividade como forma de proteger-se de possíveis crise que uma delas pode ter enquanto também busca identificar novas oportunidades.

Nem sempre é fácil saber quando focar e quando diversificar e, igualmente importante, nem sempre é fácil perceber se está realmente diversificando ou não – como já dizia Robert Kiyosaki, muitas vezes estamos investindos em produtos financeiros diferentes, mas componentes de um mesmo grupo, acreditando que estamos diversificando.

Um exemplo para melhor explicar a importância…

Tomemos como exemplo o caso de um pequeno investidor que decide aplicar grande parte de sua reserva financeira em ações de uma determinada empresa e, após algum tempo, as mesmas são muito bem valorizadas – agora, aplicar mais dinheiro nas ações daquela mesma empresa (focar nas ações daquela empresa), adquirir ações de outra empresa que possa crescer (focar no mesmo tipo de ativos, no caso, ações), adquirir outros tipos de ativos de papel (o que muitos bancos definem como diversificar, mas Robert Kiyosaki mostra que estaremos ainda trabalhando com o mesmo grupo de ativos, os ativos de papel) ou investir algum dinheiro na aquisição de imóveis (agora sim, uma diversificação completa)?

Percebeu o grande número de opções? E olha que não comentamos todas aqui: poderíamos detalhar a estratégia comentando sobre certificados de depósito bancário, compra de moeda estrangeira, ou investir capital em um negócio com grandes chances de expansão – as oportunidades são inúmeras, mas nem sempre sabemos quais delas serão realmente rentáveis!

Sendo assim, quando é a hora certa para focarmos, isto é, investirmos mais naquilo que está dando certo, e diversificarmos, investindo em novos tipos de ativos?

Infelizmente (ou felizmente), não há uma resposta exata para tal pergunta – se houvesse, ganhar dinheiro não seria tão desafiador (e perderia bastante de sua graça). O que podemos fazer é avaliar os riscos de cada situação levando em consideração nossa experiência nas atividades em que nos envolvemos e, assim, decidirmos se podemos “confiar no nosso taco” e aplicar mais naquilo que está melhor nos rendendo ou se é hora de diversificar para proteger.

Quando vale mais a pena focar…

Focar valerá sempre mais e mais a pena se você souber realmente o que está fazendo. Vamos tomar como exemplo o amigo de nossa história que estava ganhando bem com suas ações. Se ele tiver muito boa experiência e estiver estudando o mercado daquela empresa, ele poderá antecipar-se se a mesma está buscando uma estrutura cada vez mais sólida ou se os riscos para os investidores são crescentes. Se ele decidir que vale a pena investir na empresa levando em consideração tais dados, ele estará focando.

Além disso, ele pode não confiar muito na situação daquela empresa, imaginando que as cotações de suas ações começarão a “andar de lado”, e saber de outra cujas ações estão subvalorizadas e há uma forte tendência para o crescimento da mesma, permitindo-lhe assim optar por investir nessa outra.

Por outro lado, quando vale a pena diversificar?

Podemos diversificar a fim de reduzir os riscos buscando afetar o mínimo possível nosso potencial de rentabilização. Vamos supor que o personagem da história não esteja muito certo a respeito do mercado acionário – ele acredita que ainda pode ganhar muito dinheiro lá, mas tem medo de perder também!

Ele poderá, por exemplo, adquirir um imóvel e usá-lo como um ativo, vendendo-o ou locando-o posteriormente. Dependendo da situação do mercado imobiliário, pode ser fácil prever um crescimento razoável, acima da caderneta de poupança, tornando esta uma opção mais segura que as ações porém com um rendimento melhor do que a poupança. Ao fazer isso, mesmo que ele perca dinheiro em suas ações por meio da desvalorização das mesmas, ele poderá ganhar por meio de seu imóvel.

Lembre-se diversificar pode ser um instrumento de proteção, mas também pode servir para a exploração de novas oportunidades!

Voltando mais uma vez ao nosso “amiguinho virtual”, ele poderia ter o objetivo de ter sua própria empresa e agora, com esse capital, arriscar-se a desenvolver o seu próprio negócio. O capital permitiu-lhe explorar uma nova oportunidade, desenvolver uma nova fonte de renda.

E qual a melhor combinação de ativos para diversificar?

Essa pergunta só pode ser corretamente respondida se avaliarmos quais os tipos de ativos de interesse do indivíduo – tente sempre ganhar dinheiro, primeiro, naquilo que faria até mesmo gratuitamente, pois é isso que você ama fazer!

Para mim que gosto de ler e estudar mais e mais sobre o assunto, acabo por diversificar ao máximo – aprender na prática sempre é interessante, mas você precisa conhecer os riscos que há também quando se diversifica demais os investimentos! Se não possuímos dinheiro suficiente aplicado, não teremos boas oportunidades para fazer nosso negócio crescer ou para investir em algum tipo de ativo de papel que possua montante mínimo, além de perdermos juros mais atraentes.

Talvez seja uma boa ideia começar desenvolvendo um pequeno negócio e, com os lucros do mesmo somados ao rendimentos de seu emprego, investir uma parte do dinheiro na aquisição de um imóvel e/ou outra parte em ativos de papel – lembre-se, é você quem pode dizer quando é o melhor momento para focar ou para diversificar!

Mais uma vez, só você, conhecendo cada umas das opções em que deseja aplicar seu dinheiro, pode melhor determinar quando focar ou quando diversificar, ok?

Exercícios

Sentiu falta de nossos exercícios? Então aqui vai mais um para não só manter a sua mente ocupada como também para começarmos a trilhar seu caminho rumo ao sucesso.

Analise cada um dos quatro grupos de ativos apresentados anteriormente e faça uma tabela com as vantagens e desvantagens de cada um – qual a quantidade de capital inicial necessária para aplicar, quanto capital precisará ter mensalmente ou para aplicar como capital de giro, etc.

Depois dessa análise, selecione os subprodutos que há dentro de cada um deles que mais podem lhe interessar e descreva se é possível adquirir-los agora ou se seria muito arriscado.

Enfim, uma vez que tenha feito todo o estudo necessário, é hora de aplicar capital no subproduto do grupo de ativo com que você mais se identificou!

Após isso, estude mais e mais aquele subproduto que você escolheu a fim de que possa focar mais tarde, bem como os demais ativos e subprodutos que você pode se utilizar como uma diversificação de seu patrimônio.

E não hesite muito em começar a aplicar seu dinheiro em algo – dinheiro parado é dinheiro preguiçoso, que não está a trabalhar por você!

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Educação Financeira]

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